sábado, 2 de junho de 2012

O GOVERNO DE VARGAS


A revolução de 30

Com a revolução de 30. Modificações importantes ocorreram nos campos políticos, econômicos e sociais. Primeiro foi o fechamento do Congresso Nacional e das Assembléias Legislativas estaduais e municipais.

Getulio Vargas passou a governar por meio de decretos-leis. Limitou-se o poder dos Estados. O executivo federal tornou-se todo-poderoso. Uma ditadura foi instalada no país.

A economia permaneceu voltada basicamente para a agricultura, mas havia uma preocupação em acelerar a industrialização do país.

A questão social, passou a ser vista como uma questão política. Ao mesmo tempo que adotava uma legislação que atendia antigas reivindicações dos trabalhadores, o governo passou a interferir na atividade sindical.

Os sindicatos ficavam vinculados diretamente ao Ministério do Trabalho. Adotou-se o principio da unidade sindical: legalmente, só era possível a existência de um sindicato por categoria profissional.

Diferentes forças militares e variados segmentos sociais haviam participado da revolução. A medida que o governo Vargas adotou propostas mais centralizadoras e autoritárias, setores mais liberais começaram a fazer oposição ao regime.

Em julho de 1932, São Paulo levantou-se em armas. Os paulistas sentiam-se preteridos pelo governo federal. Exigia o fim da ditadura e maior autonomia estadual. São Paulo, o Estado mais poderoso vinha perdendo forças.

A chamada Revolução Constitucionalista de 1932 mobilizou os mais variados setores da sociedade: cafeicultores, classe media, industriais.

São Paulo foi derrotado militarmente, mas conseguiu importantes ganhos políticos. Em maio de 1933 ocorreram as eleições para a Assembléia Nacional Constituinte, instalada no dia 15 de novembro.

A nova Constituição, aprovada em julho do ano seguinte, foi orientada por princípios liberais-democráticos. Amplio os direitos políticos da população, estabeleceram eleições diretas para todos os níveis. Pela primeira vez na história do Brasil, as mulheres podiam votar.

A constituição também retomou o principio da liberdade e da autonomia sindical, existente no país antes de 1930. Adotavam-se algumas medidas nacionalistas. As jazidas minerais e quedas d’ água, julgadas para a defesa econômica ou militar do país, deveriam ser nacionalizadas progressivamente.

A Constituição liberal de 1934 teve uma vida curta. Por que com o fim da primeira guerra mundial, idéias autoritárias proliferaram em todo o mundo e a democracia liberal entrou em crise.

O nazismo, o fascismo e o comunismo surgiam como alternativas ao modelo liberal-democrático. No Brasil, com o fim do regime ditatorial e a implantação de um regime constitucional, o processo político radicalizou-se. A vida sindical renasceu. Dois importantes movimentos mobilizaram as classes médias.

De um lado, a Ação Integralista Brasileira (AIB), criada em 1932 com um caráter profundamente nacionalista e antiliberal e era dirigido por Plínio Salgado, era “Deus, Pátria e Família”.

De outro lado estava a Aliança Nacional Libertadora (ANL), criada em março de 1935. Era inspirada na proposta das frentes populares da Europa, que tinham o objetivo de deter o avanço do nazi-fascismo em escala mundial.

Composta por socialistas, comunistas, católicos e liberais, a ANL combatia o governo Vargas e se propunha defender os interesses ameaçados das classes populares por meio da luta contra o imperialismo e o latifúndio. Tendo como líder comunista Luis Carlos Prestes.

Como resposta o governo acenou com uma série de medidas repressivas, entre elas a lei de Segurança Nacional. Em julho de 1935, quatro meses após a sua fundação, a ANL foi colocada na ilegalidade.

A proposta de derrubar Vargas por meio de uma insurreição armada pelo Partido Comunista foi ganhando força. A proposta recebeu adesão de alguns militares remanescentes do tenentismo.

Em novembro de 1935, eclodiu a revolta liderada pelos comunistas. O comunismo passou a ser o inimigo numero 1 do governo. Milhares de pessoas foram presas em todo o país. O Congresso passou a aprovar todas as medidas pelo o executivo. O legislativo foi recuando e cedendo espaço para o fortalecimento de Vargas.

Em setembro de 1936 foi criado o Tribunal de Segurança Nacional, para julgar os crimes das pessoas acusadas de envolvimento com o levante comunista. Vargas consolidou sua aliança com os militares, com os empresários, com a igreja e com os integralistas.

O clima golpista voltou a se acender em setembro de 1937, quando foi apresentado a nação um documento, sobre nova revolta que supostamente eclodiria em breve no país. Esse documento falso ficou conhecido como Plano Cohen.

No dia 10 de novembro, tropas militares cercaram o Congresso. Vargas apresentou a nação uma nova Constituição. Por meio de um golpe, tinha inicio o Estado Novo.

O estado novo

O estado novo teve início no dia 10 de novembro de 1937, com um golpe liderado por Getúlio Vargas. Com o golpe, o Congresso Nacional, as assembléias legislativas e as câmaras municipais foram fechadas; os governadores foram substituídos por interventores nomeados por Vargas, e foi imposta uma Nona Constituição.

Em sua “ Proclamação ao povo brasileiro”, Vargas definiu o golpe como a única atitude possível, diante da situação em que se encontrava o país. Era uma situação de perigo, uma situação em que o Estado, fraco, ameaçado, se encontrava impedido de prover medidas necessárias ao bem-estar e ao desenvolvimento da nação. Entre os perigos estava o comunismo.

Alem do comunismo, haveria razões de ordem política e institucional pesando para que a situação do Brasil se tornasse caótica. De acordo com Vargas a Constituição liberal de 1934 impunha sérios limites ao poder executivo, conferindo grande força ao legislativo e aos partidos políticos. Os partido eram controlados por as oligarquias estaduais, o Congresso havia se tornado um lugar onde se expressavam não aos interesses gerais das nações.

No Brasil, com Vargas, se observou a instalação de regimes de força, ainda que não totalitários. Esses regimes suprimiram os direitos políticos e o sistema representativo. Já a democracia era vista como obstáculos, e não como condição básica para o desenvolvimento e a modernização.

Com o Estado novo, os poderes executivos estaduais passaram a ser ocupados por interventores em vez das assembléias foram criados departamentos administrativos.

Aos departamentos administrativo cabia aprovar os decretos-leis dos interventores, aprovar e fiscalizar os orçamentos dos Estados e avaliar o desempenho e a eficácia dos órgão estaduais.

Alguns desses órgãos foram o Conselho Técnico de Economia e Finanças do Ministério da Fazenda, o Conselho Nacional do Petróleo, o Conselho de Águas e energia e a Comissão Executiva do Plano Siderúrgico Nacional. Na visão das forças armadas, o estado brasileiro devia investir em atividades estratégicas. Entre essas atividades estava o desenvolvimento de industrias de base, como a siderúrgica, e o suprimento de recursos energéticos, como o petróleo.

Juntamente com a interrupção do jogo político representativo, a centralização administrativa promovida por Vargas era apresentada como requisito básico para o aumento da eficiência e da racionalidade do Estado.

Foram instituídos concursos para o acesso a cargos públicos. Foi inclusive criado, em 1938, um órgão especialmente voltado para a reforma e a modernização da administração pública: o Dasp, Departamento Administrativo do Serviço Público.

Apesar de terem sido feitas mudanças importantes é preciso destacar que o Estado Novo, além de autoritário, tinha característica fortemente tradicional. Não se deve esquecer que as oligarquias regionais continuavam bastante poderosas e que Vargas, era originário da oligarquia gaúcha.

Os próprios interventores acabaram constituindo vínculos estreitos com as oligarquias regionais, vários deles criaram fortes bases políticas nos Estados, afirmando-se como grandes lideranças.

Surge o pai dos pobres

Ainda que não houvesse, desde o inicio, uma sintonia efetiva entre Estado e nação, o importante é perceber como ela foi sendo construída ao longo do tempo.

O Ministério da Educação e saúde, chefiado por Gustavo Capanema, desempenhou um papel fundamental no projeto político desenvolvido pelo Estado Novo. A propaganda política foi muito utilizada no período do Estado Novo. Falava-se muito na criação de um “homem novo” para um “Estado Novo” de uma “Nova Nação”. A propaganda ficou a cargo do DIP, o poderoso Departamento de Imprensa e Propaganda criado em 1939.

DIP não apenas se encarregava da censura, como também produzia seus próprios materiais de divulgação e propaganda: cartazes, fotos...

Entre as realizações, gerou a visão de Vargas como pai dos pobres, foi a legislação trabalhista.

Foi sob o Estado Novo, que se organizou a Justiça do Trabalho, que se criou o salário mínimo regional, também estabeleceu o imposto sindical, a Consolidação das Leis do Trabalho.

Além disso, ficava proibidos as greve e o locaute, que eram considerados nocivos aos interesses da nação.

A queda de Getúlio Vargas

Aprendemos que a população brasileira foi se aproximando da causa aliada contra os regimes autoritários do eixo. Pois bem ao declarar guerra a Alemanha e a Itália, Vargas criou pra si mesmo um grave problema. Por toda a parte começaram as manifestações pelo fim do regime do Estado Novo.

Para poder melhorar essa situação, Vargas providenciou algumas medidas política. Em fevereiro de 1945, convocou eleições presidências e legislativas. Em abril, concedeu anistia a todos os presos político. Depois marcou as eleições para o mês de dezembro. Com isso iniciou-se o processo de constituição dos partidos políticos. Também iniciou o movimento queremista.

Apoiavam o movimento queremista as massas populares ligadas ao trabalhismo e os comunistas anistiados. Mas, para os comunistas, as eleições de um novo presidentes eram vista com vigor. As elites que ainda apoiavam Vargas viram na aliança do presidente com os comunistas, e nas supostas intenções de Vargas de permanecer no poder. Mas em 29 de outubro de 1945 Vargas foi destituído.

A Segunda Guerra Mundial

Introdução : As causas da Segunda Guerra Mundial 

Um conflito desta magnitude não começa sem importantes causas ou motivos. Podemos dizer que vários fatores influenciaram o início deste conflito que se iniciou na Europa e, rapidamente, espalhou-se pela África e Ásia.
Um dos mais importantes motivos foi o surgimento, na década de 1930, na Europa, de governos totalitários com fortes objetivos militaristas e expansionistas. Na Alemanha surgiu o nazismo, liderado por Hitler e que pretendia expandir o território Alemão, desrespeitando o Tratado de Versalhes,  inclusive reconquistando territórios perdidos na Primeira Guerra. Na Itália estava crescendo o Partido Fascista, liderado por Benito Mussolini, que se tornou o Duce da Itália, com poderes sem limites.
Tanto a Itália quanto a Alemanha passavam por uma grave crise econômica no início da década de 1930, com milhões de cidadãos sem emprego. Uma das soluções tomadas pelos governos fascistas destes países foi a industrialização, principalmente na criação de indústrias de armamentos e equipamentos bélicos (aviões de guerra, navios, tanques etc).
Na Ásia, o Japão também possuía fortes desejos de expandir seus domínios para territórios vizinhos e ilhas da região. Estes três países, com objetivos expansionistas, uniram-se e formaram o Eixo. Um acordo com fortes características militares e com planos de conquistas elaborados em comum acordo.

O Início

O marco inicial ocorreu no ano de 1939, quando o exército alemão invadiu a Polônia. De imediato, a França e a Inglaterra declararam guerra à Alemanha. De acordo com a política de alianças militares existentes na época, formaram-se dois grupos : Aliados (liderados por Inglaterra, URSS, França e Estados Unidos) e Eixo (Alemanha, Itália e Japão ).

Desenvolvimento e Fatos Históricos Importantes:

- O período de 1939 a 1941 foi marcado por vitórias do Eixo, lideradas pelas forças armadas da Alemanha, que conquistou o Norte da França, Iugoslávia, Polônia, Ucrânia, Noruega e territórios no norte da África. O Japão anexou a Manchúria, enquanto a Itália conquistava a Albânia e territórios da Líbia.
- Em 1941 o Japão ataca a base militar norte-americana de Pearl Harbor no Oceano Pacífico (Havaí). Após este fato, considerado uma traição pelos norte-americanos, os estados Unidos entraram no conflito ao lado das forças aliadas.
- De 1941 a 1945 ocorreram as derrotas do Eixo, iniciadas com as perdas sofridas pelos alemães no rigoroso inverno russo. Neste período, ocorre uma regressão das forças do Eixo que sofrem derrotas seguidas. Com a entrada dos EUA, os aliados ganharam força nas frentes de batalhas. 
- O Brasil participa diretamente, enviando para a Itália (região de Monte Cassino) os pracinhas da FEB, Força Expedicionária Brasileira. Os cerca de 25 mil soldados brasileiros conquistam a região, somando uma importante vitória ao lado dos Aliados. 

Final e Consequências

Este importante e triste conflito terminou somente no ano de 1945 com a rendição da Alemanha e Itália. O Japão, último país a assinar o tratado de rendição, ainda sofreu um forte ataque dos Estados Unidos, que despejou bombas atômicas sobre as cidades de Hiroshima e Nagazaki. Uma ação desnecessária que provocou a morte de milhares de cidadãos japoneses inocentes, deixando um rastro de destruição nestas cidades.
bomba atômica Bomba Atômica explode na cidade japonesa de Hiroshima
Os prejuízos foram enormes, principalmente para os países derrotados. Foram milhões de mortos e feridos, cidades destruídas, indústrias e zonas rurais arrasadas e dívidas incalculáveis. O racismo esteve presente e deixou uma ferida grave, principalmente na Alemanha, onde os nazistas mandaram para campos de concentração e mataram aproximadamente seis milhões de judeus.
Com o final do conflito, em 1945, foi criada a ONU ( Organização das Nações Unidas ), cujo objetivo principal seria a manutenção da paz entre as nações. Inicia-se também um período conhecido como Guerra Fria, colocando agora, em lados opostos, Estados Unidos e União Soviética. Uma disputa geopolítica entre o capitalismo norte-americano e o socialismo soviético, onde ambos países buscavam ampliar suas áreas de influência sem entrar em conflitos armados.

Você sabia?

- O dia 8 de maio é o Dia Mundial em memória dos que morreram durante a Segunda Guerra Mundial.

A Grande Depressão

A crise financeira que engolfou os países da Europa, e que vem obrigando seus governos a cortar gastos, aparentemente excitou os inúmeros comentaristas keynesianos que infestam os jornais mundiais.  O "senso comum" é que cortes nos gastos do governo representam justamente aquilo que não deve ser feito de maneira alguma em momentos de recessão.  A justificativa prática contra o equilíbrio orçamentário a que recorrem é famosa: em 1937, ainda durante a Grande Depressão americana, o governo Roosevelt havia concordado em reduzir o déficit do governo americano.  Como consequência, dizem eles, a economia apresentou uma contração e o desemprego subiu de 14 para 19%.
O presente artigo, além de fazer um vigoroso e completo relato das políticas destrutivas adotadas durante a Grande Depressão — políticas essas que serviram apenas para prolongar por uma década uma recessão que poderia ter sido resolvida em dois anos —, mostra por que a redução do déficit governamental durante apenas um ano não pode ser responsabilizada pelo agravamento da recessão: havia outros fatores em jogo, outras políticas intervencionistas que foram implantadas e que ajudaram a agravar o cenário econômico — muitas das quais seguem sendo advogadas até hoje.
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Embora a Grande Depressão tenha engolido o mundo há muitos anos, ela ainda permanece viva como um pesadelo na memória dos indivíduos velhos o bastante para se lembrar dela e como um espectro assustador nos livros-texto da atual juventude.
Treze milhões de americanos - 25% da força de trabalho - ficaram desempregados, "não desejados" no processo de produção.  Um em cada quatro trabalhadores vagueava pelas ruas, na penúria e no desespero.  Milhares de bancos, centenas de milhares de empreendimentos e milhões de agricultores foram à falência ou encerraram suas operações definitivamente.
Praticamente todas as pessoas sofreram dolorosas perdas de renda e riqueza.
Até hoje muitos ainda acreditam que a Grande Depressão refletiu o colapso de uma velha ordem econômica que se baseava em mercados desimpedidos, concorrência desenfreada, especulação, direitos de propriedade e a simples busca pelo lucro.  De acordo com eles, a Grande Depressão comprovou a inevitabilidade de uma nova ordem baseada na intervenção estatal, nos controles burocrático e político, nos direitos humanos e no assistencialismo governamental.  Tais pessoas, sob a influência de Keynes, afirmam que os culpados pelas depressões são os empreendedores, pois estes se recusam egoisticamente a gastar dinheiro suficiente para manter ou mesmo melhorar o poder de compra das pessoas.  É por isso que eles advogam vastos gastos governamentais e, sobretudo, déficits orçamentários - o que resulta em uma era de inflação monetária e expansão do crédito.
Os economistas clássicos aprenderam uma lição diferente.  Em sua visão, a Grande Depressão consistiu em quatro depressões consecutivas que acabaram formando uma só.  As causas de cada fase são distintas, mas as consequências foram as mesmas: estagnação econômica e desemprego.
Os ciclos econômicos
A primeira fase foi um período de expansão seguida de recessão, exatamente como os outros ciclos econômicos que já haviam atormentado a economia americana nos períodos 1819-1820, 1839-1843, 1857-1860, 1873-1878, 1893-1897 e 1920-1921.  Em cada um desses casos, o governo americano havia provocado uma expansão econômica por meio da expansão monetária - via sistema bancário de reservas fracionárias - e do crédito fácil.  Essa expansão era rapidamente seguida da inevitável contração e recessão.
Já o espetacular colapso de 1929 veio depois de cinco anos de uma temerária expansão creditícia gerada pelo Federal Reserve System (o Banco Central americano) sob a administração do presidente Calvin Coolidge.  Em 1924, após uma acentuada queda na atividade econômica, os bancos americanos que pertenciam ao sistema da Reserva Federal [daí o nome em inglês de Federal Reserve System; são bancos sob controle direto do Fed] criaram repentinamente US$500 milhões em crédito novo, o que, por meio das reservas fracionárias, levou a uma expansão creditícia total de mais US$ 4 bilhões em menos de um ano.
Embora os efeitos imediatos dessa nova e poderosa expansão do dinheiro e do crédito tivessem sido aparentemente benéficos, iniciando um novo período de expansão econômica e ofuscando o declínio de 1924, o resultado final foi desastroso.  Foi o início de uma política monetária que levou ao crash da bolsa de valores em 1929 e à consequente depressão.  Com efeito, a expansão creditícia comandada pelo Fed em 1924 constituiu aquilo que Benjamin Anderson em seu grande tratado sobre a recente história econômica (Economics and the Public Welfare, D. Van Nostrand, 1949) chamou de "o início do New Deal".
Essa expansão creditícia do Fed iniciada em 1924 tinha também a intenção de auxiliar o Bank of England em seu declarado desejo de manter a taxa cambial da libra no mesmo nível em que estava antes da Primeira Guerra Mundial.  O forte dólar americano e a fraca libra esterlina deveriam ser reajustados às condições pré-guerra por meio de uma política de inflação nos EUA e de deflação na Grã-Bretanha.
Em 1927, o Fed incorreu em mais um surto inflacionário, cujo resultado foi fazer com que o total de dinheiro fora dos bancos mais os depósitos à vista e a prazo aumentassem de $44,51 bilhões, no final de junho de 1924, para $55,17 bilhões em 1929.  O volume das hipotecas agrícolas e urbanas expandiu de $16,8 bilhões em 1921 para $27,1 bilhões em 1929.  Aumentos similares ocorreram no endividamento industrial, financeiro e dos governos municipais e estaduais.  Essa expansão do dinheiro e do crédito foi acompanhada de um aumento veloz nos preços das ações e dos imóveis.  Os preços dos títulos emitidos por indústrias, de acordo com o índice da Standard & Poor's, aumentou de 59,4 em junho de 1922 para 195,2 em setembro de 1929.  As ações das empresas ferroviárias aumentaram de 189,2 para 446,0, ao passo as empresas de utilidade pública subiram de 82 para 375,1.
Uma série de sinais falsos
A maciça expansão monetária e creditícia praticada pelo governo Coolidge fez com que a crise de 1929 fosse inevitável. 
A inflação monetária e a expansão do crédito sempre provocam na economia desajustes e maus investimentos que, mais tarde, inevitavelmente terão de ser liquidados.  A expansão monetária reduz artificialmente - isto é, falsifica - as taxas de juros, enviando sinais equivocados aos empreendedores em relação a como e em que eles devem investir.  Na crença de que taxas de juros em queda representam um aumento na oferta de capital poupado - algo que só acontece num mercado genuinamente livre, isto é, sem manipulações dos juros por alguma autoridade monetária -, os empreendedores embarcam em novos projetos de produção.  A criação de dinheiro origina uma expansão econômica.  Ela faz com que os preços subam, principalmente os preços dos bens de capital utilizados para a expansão dos empreendimentos.  Mas esses preços constituem custos empresariais.  Eles vão continuar subindo até o momento em que os empreendimentos deixarem de ser lucrativos.  Nesse ponto começa o declínio.  A fim de prolongar a expansão econômica, as autoridades monetárias podem continuar injetando dinheiro novo no sistema econômico.  Porém, haverá um momento em que, assustadas com as perspectivas de um surto inflacionário, essa injeção será ou interrompida ou reduzida.  Com isso, os juros subirão.  E a expansão econômica que foi sustentada pela areia movediça da inflação chega a um fim repentino.
A recessão que se segue é um período de reparação e reajuste.  Os preços e os custos se reajustam às escolhas e preferências dos consumidores.
E, principalmente, as taxas de juros se reajustam de modo a refletirem novamente a real oferta e demanda de poupança genuína.  Os investimentos feitos na esteira da expansão econômica artificial, e que por isso acabam se revelando errôneos e mal concebidos, são abandonados ou sofrem uma redução no valor contábil de seus ativos.  Os custos empresariais, principalmente os custos trabalhistas, são reduzidos por meio de uma maior produtividade da mão-de-obra e de uma maior eficiência administrativa.   Isso vai ocorrer até que os empreendimentos voltem a ser lucrativamente geridos, os investimentos em capital voltem a dar retorno e a economia de mercado volte a funcionar harmoniosamente.
Após uma tentativa de estabilização abortada no primeiro semestre de 1928, o Fed finalmente abandonou sua política de credito fácil no início de 1929.  Ele começou a vender títulos do governo em volume maior do que comprava, e com isso interrompeu a expansão do crédito bancário.  A taxa de redesconto foi aumentada para 6% em agosto de 1929.  Os títulos comerciais seguiram a tendência e também subiram para 6%.  Já os empréstimos resgatáveis a qualquer momento tiveram sua devolução imediata exigida pelos bancos, a uma taxa de 15 a 20% superior à média de até então.  A economia americana estava começando a se reajustar.  Em junho de 1929, a atividade econômica começou a recuar.  Os preços das commodities começaram sua retração em julho.
O mercado de títulos privados atingiu seu pico em 19 de setembro, e então, sob a pressão das vendas maciças, começou a declinar lentamente.  Entretanto, durante mais cinco semanas, o público seguiu comprando pesadamente à medida que os preços continuavam caindo.  Mais de 100 milhões de ações foram comercializadas na Bolsa de Valores de Nova York em setembro.  Finalmente foi ficando claro para um número cada vez maior de acionistas que a tendência havia de fato mudado.  Começando em 24 de outubro de 1929, milhares correram para vender seus papeis imediatamente e a qualquer preço.  As avalanches de vendas realizadas pelo público inundaram o registrador de cotações da Bolsa.  Os preços desabaram espetacularmente.
Liquidação e ajuste
O colapso da bolsa de valores sinalizou o início de um processo de reajuste que já era para ter se iniciado há mais tempo.  Deveria ter sido um processo de liquidação e ajuste ordeiro, seguido por uma recuperação normal.  Afinal, a estrutura financeira das empresas era muito forte.  Os custos fixos eram baixos, uma vez que as empresas já haviam restituído a maior parte do dinheiro adquirido por meio da venda de títulos e haviam utilizado o dinheiro da venda de ações para reduzir suas dívidas junto aos bancos.  Nos meses seguintes, as receitas da maioria das empresas estavam razoavelmente robustas.  O desemprego em 1930 apresentou uma média menor que 4 milhões de pessoas, ou 7,8% da força de trabalho.
Na terminologia moderna, a economia americana de 1930 havia entrado em uma suave recessão.  Na ausência de novas causas para a depressão, o ano seguinte já deveria ter trazido uma recuperação, assim como houve nas depressões anteriores.  Na depressão de 1921-1922, por exemplo, a economia americana recuperou-se totalmente em menos de um ano.  O que, então, precipitou o abismal colapso após 1929?  O que impediu os ajustes de preços e custos e, consequentemente, levou à segunda fase da Grande Depressão?
Desintegração da economia mundial
O governo Hoover, empossado em 1929, se opôs a qualquer reajuste via mercado.  Sob a influência da "nova economia", que preconizava o planejamento central, o presidente incitou empresários a não cortar seus preços e a não reduzir salários.  Particularmente, Hoover estipulou que eles aumentassem as despesas com capital, aumentassem os salários e intensificassem todos os outros gastos, tudo sob a crença de que isso estaria mantendo o poder de compra.
Não fosse o suficiente, Hoover embarcou em uma política de déficits orçamentários e apelou aos governos locais para que estes se endividassem mais e gastassem seus empréstimos em mais obras públicas.  Por meio da Comissão da Agricultura, que Hoover havia organizado no segundo semestre de 1929, o governo federal tentou incansavelmente sustentar os preços do trigo, do algodão e de outros produtos agrícolas.  A tradição do velho Partido Republicano, que defendia a restrição de importações, foi invocada com afinco.
A tarifa Smoot-Hawley, aprovada em junho de 1930, elevou as tarifas de importação a níveis sem precedentes, o que praticamente fechou as fronteiras dos EUA para os produtos estrangeiros.  De acordo com a maioria dos historiadores econômicos, esta foi a loucura suprema de todo o período que vai de 1920 a 1933, e início da real depressão.  "Assim que aumentamos nossas tarifas", escreveu Benjamin Anderson,
Iniciou-se uma irrefreável marcha ao redor do mundo para se elevar tarifas e erigir outras barreiras comerciais, incluindo-se aí as quotas.  O protecionismo irrompeu-se descontroladamente por todo o mundo.  Os mercados foram interrompidos.  As linhas de comércio foram restringidas.  O desemprego nas indústrias exportadoras de todo o mundo cresceu celeremente.  Os preços dos produtos agrícolas nos EUA haviam caído acentuadamente durante o ano de 1930, porém a mais rápida taxa de declínio veio após a aprovação da tarifa.
Quando o presidente Hoover anunciou que ele aprovaria o projeto de lei da tarifa, as ações industriais despencaram 20 pontos em um dia.  O mercado de ações corretamente pressentiu a depressão.
Os protecionistas jamais aprenderam que a restrição de importações inevitavelmente gera uma obstrução das exportações.  Mesmo que os países estrangeiros não retaliem imediatamente essa restrição às suas exportações, as importações desses países são limitadas pela sua capacidade de vender produtos no exterior.  Se um país não consegue exportar, ele não vai conseguir divisas para fazer suas importações.  Logo, um país que restringe suas importações está fadado a não conseguir exportar também.
É por isso que a tarifa Smoot-Hawley, que fechou a fronteira americana para os produtos de fora, também levou a um fechamento dos mercados externos para os produtos americanos.  As exportações americanas caíram de $5,5 bilhões em 1929 para $1,7 bilhão em 1932.  A agricultura americana habitualmente exportava mais de 20% de seu trigo, 55% de seu algodão, 40% de seu tabaco e de sua banha de porco, e vários outros produtos.  Quando o comércio internacional foi interrompido, a agricultura americana desmoronou.  Na realidade, as crescentes e rápidas restrições comerciais, incluindo tarifas, quotas, controles cambiais e outros artifícios, estavam gerando uma depressão mundial.
Os preços das commodities agrícolas, que antes da crise estavam bem acima do nível 1926, despencaram para uma mínima de 47 já em meados de 1932.  Os novos preços, tais como $2,50 por cem libras de porco de engorda, $3,28 para gado de corte e 32¢ para um alqueire de trigo levaram centenas de milhares de agricultares a falência.  Hipotecas agrícolas foram executadas até que vários estados aprovaram leis de moratória, fazendo com que a falência fosse transferida para inúmeros credores.
Bancos rurais em apuros
Os principais credores dos agricultores americanos eram, obviamente, os bancos rurais.  Quando a agricultura entrou em colapso, os bancos fecharam suas portas.  Algo como 2.000 bancos, com depósitos que totalizavam mais de $1.5 bilhão, suspenderam suas operações entre agosto de 1931 e fevereiro de 1932.  Os bancos que permaneceram abertos foram obrigados a restringir suas operações acentuadamente.  Eles liquidaram os empréstimos contraídos via venda de títulos, encurtaram os empréstimos imobiliários, pressionaram pelo pagamento de empréstimos antigos e se recusaram a conceder novos.  Finalmente, eles tiveram de vender seus títulos mais comercializáveis, jogando-os em um mercado já deprimido.  O pânico que engoliu a agricultura americana também tragou o sistema bancário e seus milhões de clientes.
A crise bancária americana foi agravada por uma série de eventos envolvendo a Europa.  Quando a economia mundial começou a se desintegrar e o nacionalismo tornou-se desenfreado, os países europeus devedores repentinamente se viram em uma precária situação.  Com isso eles começaram a dar calote.  A Áustria e a Alemanha cancelaram seus pagamentos externos e congelaram enormes quantias de crédito recebido dos ingleses e dos americanos; quando a Inglaterra finalmente suspendeu os pagamentos em ouro em setembro de 1931, a crise se espalhou para os EUA.  A queda nos valores dos títulos estrangeiros desencadeou um colapso no mercado geral de títulos, o que atingiu os bancos americanos em seu ponto mais fraco - suas carteiras de investimentos.
A Depressão expandida
O ano de 1931 foi trágico.  Não apenas os EUA, mas todo o mundo caiu no cataclisma do desespero e da depressão.  O desemprego americano pulou para mais de 8 milhões e continuou subindo.  A administração Hoover, rejeitando sumariamente a ideia de que ela havia causado o desastre, trabalhou diligentemente para colocar a culpa nos especuladores e nos empresários americanos.  O presidente Hoover convocou todos os líderes industriais do país e os incitou a adotar seu programa de manter os salários artificialmente altos e expandir os programas de construção.  Ele enviou um telegrama para todos os governadores, solicitando urgência na expansão cooperativa de todos os programas de obras públicas.  Ele expandiu as obras públicas federais e concedeu subsídios para a construção de navios.  E para beneficiar os agricultores em destituição, várias agências federais adotaram políticas de estabilização de preços que geraram safras e excedentes cada vez maiores, o que acabou por depreciar ainda mais os preços dos produtos agrícolas.  As condições econômicas mudaram de ruins para péssimas, e o desemprego em 1932 atingiu uma média de 12,4 milhões de pessoas.
Nesse momento sombrio da penúria e do sofrimento humano, o governo federal americano deu o golpe final.  O Revenue Act [Decreto da Receita] de 1932 duplicou o imposto de renda, se transformando no mais agudo aumento da carga tributária federal na história dos EUA.  As isenções foram diminuídas e os créditos tributários restituíveis foram eliminados.  As alíquotas de impostos comuns foram aumentadas, saindo de uma faixa que variava de 1,5 a 5% para uma faixa que variava de 4 a 8%.  Já as sobretaxas pularam de 20% para um máximo de 55%.  O imposto de renda corporativo pulou de 12% para 13,75% e 14,5%.  Os impostos sobre a propriedade foram elevados.  Impostos sobre a doação de bens foram criados, com alíquotas que variavam de 0,75% a 33,5%.  Uma taxa de 10% sobre a gasolina foi imposta, mais outra taxa de 3% sobre automóveis, e mais taxas sobre telefones e telégrafos, um taxa de 2¢ sobre o cheque, e várias outros impostos sobre o consumo.  E, por fim, o governo elevou as tarifas postais substancialmente.
Quando os governos estaduais e locais se depararam com uma forte queda em suas receitas, eles também recorreram ao exemplo do governo federal e impuseram novos tributos.  As alíquotas dos impostos já existentes sobre a renda e as empresas foram aumentadas, e novos tributos foram criados sobre a renda comercial, a propriedade, as vendas, o tabaco, as bebidas e outros produtos.
Murray Rothbard, em seu impositivo trabalho America's Great Depression, estima que a carga fiscal imposta pelos governos federal, estaduais e locais praticamente dobrou durante o período, saindo de 16% do produto privado líquido para 29%.  Esse golpe, sozinho, seria capaz de colocar qualquer economia de joelhos, e estilhaçar a ignorante alegação de que a Grande Depressão foi uma consequência da liberdade econômica.
O New Deal da NRA e do AAA
Um dos grandes atributos do sistema de mercado baseado na propriedade privada é sua inerente capacidade de superar praticamente qualquer obstáculo.  Por meio de reajustes nos preços e nos custos, por meio da eficiência administrativa e da produtividade da mão-de-obra, e por meio de mais poupança e investimentos, a economia de mercado tende a readquirir seu equilíbrio e retomar seus serviços aos consumidores.  Sem dúvidas ela teria se recuperado rapidamente das intervenções de Hoover caso não ocorressem novas intromissões estatais.
Entretanto, quando Franklin Delano Roosevelt assumiu a presidência, ele também lutou contra a economia durante todo o seu mandato.  Em seus primeiros 100 dias, ele golpeou pesadamente a ordem de mercado.  Ao invés de remover as barreiras à prosperidade erigidas por seus predecessores, ele construiu outras novas por conta própria.  Ele atacou de todas as formas imagináveis a integridade do dólar americano, aumentando sua quantidade e deteriorando sua qualidade.  Ele confiscou o ouro em posse dos cidadãos e subsequentemente desvalorizou o dólar em 40%.
Com quase um terço dos trabalhadores industriais desempregados, o presidente Roosevelt se aventurou em radical reorganização industrial.  Ele persuadiu o Congresso a aprovar o National Industrial Recovery Act (NIRA) [Decreto da Recuperação Industrial Nacional], que criou a National Recovery Administration (NRA) [Administração da Recuperação Nacional].  Seu propósito era fazer com que as empresas fizessem um conluio entre si, incentivando a cartelização da economia e criando tabelas de preços, salários, horas e condições de trabalho.  O Acordo de Re-Emprego implementava um salário mínimo de 40¢ a hora ($12 a $15 por semana em comunidades menores), uma jornada semanal de 35 horas para os trabalhadores industriais e de 40 horas para os trabalhadores em funções administrativas, e a proibição de todo o trabalho adolescente.
Essa foi uma tentativa ingênua de "aumentar o poder de compra" via aumento das folhas de pagamentos.  Porém, o imenso aumento nos custos empresariais gerado pelas menores horas de trabalho e maiores salários funcionou não surpreendentemente como uma medida antirrecuperação.  Após a aprovação do decreto, o desemprego subiu para quase 13 milhões.  Os estados do sul dos EUA, em especial, sofreram severamente com as novas cláusulas do salário-mínimo.  O decreto empurrou 500.000 negros para o desemprego.
Tampouco o presidente Roosevelt ignorou o desastre que havia se abatido sobre a agricultura americana.  Ele atacou o problema aprovando o Farm Relief and Inflation Act [Decreto da Inflação e Alívio Agrícola], popularmente conhecido como o First Agricultural Adjustment Act (AAA) [Primeiro Decreto de Ajuste da Agricultura].  O objetivo era aumentar a renda agrícola por meio de uma redução da área plantada ou da destruição de safras, pagando aos agricultores para não plantarem nada, e da organização de acordos de mercado para melhorar a distribuição.  O programa rapidamente passou a cobrir não somente o algodão, mas também toda a produção de cereais e carne, bem como todos os principais cultivos comerciais.  As despesas do programa deveriam ser cobertas por um novo "imposto sobre o processamento de produtos", incidente sobre um já deprimido setor industrial.
As tabelas de preços implantadas pela NRA e os impostos sobre o processamento de produtos implantados pelo AAA apareceram em julho e agosto de 1933.  Novamente, a produção econômica, que havia conseguido respirar brevemente antes dessa imposição, voltou a se retrair fortemente.  Segundo dados do Fed, a produção despencou de 100, em julho, para 72, em novembro de 1933.
As gastanças
Quando os planejadores econômicos viram seus planos dando errado, eles simplesmente receitaram doses adicionais de gastos governamentais.  Em seu discurso sobre o orçamento do governo, em janeiro de 1934, Roosevelt prometeu gastos de $10 bilhões, sendo que as receitas esperadas eram de $3 bilhões.  Entretanto, a recessão seguiu incólume; o índice que mede as condições financeiras subiu para 86 em maio de 1934, mas voltou a cair para 71 já em setembro.  Ademais, o programa de gastos provocou um pânico no mercado de títulos, o que gerou ainda mais dúvidas sobre o sistema monetário e bancário dos EUA.
A legislação orçamentária de 1933 aumentou acentuadamente as alíquotas mais altas do imposto de renda e impôs uma taxa de 5% sobre os dividendos corporativos.  Os impostos voltaram a subir em 1934.  Os impostos federais sobre propriedade foram elevados ao mais alto nível do mundo.  Em 1935, os impostos federais de renda e da propriedade aumentaram mais uma vez, não obstante a receita adicional tivesse sido insignificante.  As alíquotas claramente visavam a redistribuição de riqueza.
De acordo com Benjamin Anderson,
O impacto de todas essas numerosas medidas - industriais, agrícolas, financeiras, monetárias e outras - sobre uma desnorteada comunidade industrial e financeira foi extraordinariamente pesado.  É preciso também acrescentar o efeito das contínuas e inquietantes declarações feitas pelo presidente.  Ele repreendeu violentamente os banqueiros em seu discurso inaugural.  Ele fez uma comparação caluniosa entre os banqueiros britânicos e americanos em um discurso em meados de 1934. . .  Que a iniciativa privada tenha sobrevivido e se recuperado em meio a tamanha desordem é uma demonstração assombrosa de sua vitalidade.
E então o alívio veio de cantos inesperados.  Os "nove velhos" da Suprema Corte, por decisão unânime, declaram ilegais a NRA em 1935 e o AAA em 1936.  A Corte afirmou que o poder legislativo federal havia sido inconstitucionalmente delegado e os direitos dos estados, violados.
Essas duas decisões removeram alguns obstáculos medonhos sob os quais a economia estava labutando.  A NRA, em particular, era um pesadelo, com suas regras e regulamentações em contínuas mudanças, sob o comando de um exército de burocratas estatais.  Acima de tudo, a anulação do decreto levou a uma imediata redução dos custos da mão-de-obra e a um aumento da produtividade, uma vez que permitiu que o mercado de trabalho se ajustasse.  A morte do AAA reduziu a carga tributária da agricultura e interrompeu a chocante destruição das safras agrícolas.  O desemprego começou a declinar.  Em 1935 ele caiu para 9,5 milhões, ou 18,4% da força de trabalho, e em 1936 caiu para apenas 7,6 milhões, ou 14,5%.
Um New Deal para a mão-de-obra
A terceira fase da Grande Depressão estava, assim, se aproximando do fim.  Mas houve pouco tempo para festejos, pois o cenário estava sendo preparado para outro colapso em 1937 e, com ele, uma prolongada depressão que duraria até o dia do ataque japonês a Pearl Harbor.  Mais de 10 milhões de americanos ficaram desempregados em 1938, em mais de 9 milhões em 1939.
O alívio concedido pela Suprema Corte foi meramente temporário.  Os planejadores de Washington eram incapazes de deixar a economia a sós; eles precisavam ganhar o apoio das organizações sindicais, algo vital para a reeleição em 1936.
O Wagner Act, de 5 julho de 1935, angariou a gratidão eterna dos sindicatos.  Essa lei revolucionou as relações trabalhistas americanas.  Ela retirou as disputas trabalhistas da alçada dos tribunais e as levou para uma recém-inaugurada agência federal, o National Labor Relations Board [Conselho Nacional das Relações Trabalhistas], o qual se tornou o promotor, o juiz e o júri - ao mesmo tempo.  Aqueles membros do Conselho que eram simpatizantes dos sindicatos conseguiram corromper ainda mais uma lei que já garantia imunidades legais e privilégios para os sindicatos.  A partir daí os EUA abandonaram uma grande conquista de civilização ocidental: igualdade perante a lei.
O Wagner Act, também conhecido como Decreto Nacional das Relações Trabalhistas, foi aprovado em reação à invalidação da NRA e seus códigos trabalhistas.   Ele visava esmagar toda e qualquer resistência patronal aos sindicatos.  Tudo o que um empregador pudesse fazer em defesa própria tornou-se "prática trabalhista desleal", punível pelo Conselho.  Não apenas a lei obrigava os empregadores a lidar e a barganhar com os sindicatos escolhidos para ser representantes dos empregados, como também decisões posteriores do Conselho tornaram ilegal resistir às exigências dos líderes sindicais.
Após as eleições de 1936, os sindicatos começaram a fazer amplo uso de seus novos poderes.  Por meio de ameaças, boicotes, greves, confisco de instalações e violência aberta cometida sob inviolabilidade jurídica, eles coagiram milhões de trabalhadores a se tornarem membros.  Consequentemente, a produtividade da mão-de-obra declinou e os salários foram forçados para cima.  Os distúrbios e os conflitos trabalhistas aumentaram freneticamente.  Greves maciças deixaram centenas de fábricas inoperantes.  Nos meses seguintes, a atividade econômica começou a declinar e o desemprego novamente subiu para acima do marco de 10 milhões.
Mas o Wagner Act não foi a única fonte da crise em 1937.  Caso tivesse logrado êxito a surpreendente tentativa do presidente Roosevelt de aparelhar a Suprema Corte, tal feito teria subordinado o judiciário ao executivo.  No Congresso, os poderes do presidente eram incontestados.  Uma forte maioria democrata na Câmara e no Senado, perplexa e assustada com a Grande Depressão, cegamente seguia seu líder.  Mas quando o presidente aspirou a assumir o controle do judiciário, a nação americana se uniu contra ele, e ele perdeu sua primeira batalha política nos corredores do Congresso.
Também houve sua tentativa de controlar a bolsa de valores por meio de um número crescente de regulamentações e investigações pela Securities and Exchange Commission (SEC) [a CVM americana].  O insider trading [o "crime" da informação privilegiada] foi proibido, a margem requerida para os contratos de futuros foi aumentada e tornada mais inflexível, e as vendas a descoberto foram restringidas, em grande parte para impedir a repetição do crash de 1929.  Contudo, o mercado caiu aproximadamente 50% entre agosto de 1937 e março de 1938.  A economia americana novamente foi submetida a uma punição respeitável.
Outros impostos e controles
Entretanto outros fatores contribuíram para esse novo e, até hoje, mais rápido colapso econômico na história dos EUA.  O Imposto sobre Lucros Não Distribuídos, criado em 1936, foi um golpe pesado sobre os lucros retidos para uso nas empresas.  Não contente em destruir a riqueza dos ricos por meio de uma tributação confiscatória da renda e da propriedade, o governo obrigou as empresas a distribuírem sua poupança corporativa como dividendos passíveis de altas alíquotas tributárias.  Embora a alíquota máxima imposta sobre os lucros não distribuídos tenha sido de "apenas" 27%, esse novo tributo obteve êxito em fazer com que a poupança corporativa, que normalmente seria utilizada no emprego e na produção, fosse utilizada para pagar dividendos.
Em meio a essa nova estagnação e desemprego, o presidente e o Congresso adotaram mais uma perigosa legislação do New Deal: o Decreto dos Salários e das Horas - ou Decreto das Práticas Justas de Trabalho - em 1938.  A lei aumentou o salário mínimo e reduziu a jornada semanal de trabalho em etapas: para 44, 42 e finalmente 40 horas.  A lei impôs também um adicional de 50% para todo o trabalho acima das 40 horas semanais e regulou outras condições trabalhistas.  Novamente, o governo federal, agindo dessa forma, reduziu a produtividade da mão-de-obra e aumentou os custos trabalhistas - medidas férteis para mais depressão e desemprego.
Por todo esse período, o governo federal, através do seu braço monetário, o Fed, esforçou-se para reflacionar a economia.  A expansão monetária ocorrida entre 1934 e 1941 atingiu proporções estonteantes.  O ouro monetário da Europa, fugindo das nuvens negras das reviravoltas políticas daquele continente, buscou refúgio nos EUA, impulsionando as reservas bancárias americanas a níveis inauditos.  As reservas subiram de $2,9 bilhões em janeiro de 1934 para $14,4 bilhões em janeiro de 1941.  E com esse aumento das reservas, as taxas de juros declinaram para níveis fantasticamente baixos.  Os títulos comerciais frequentemente rendiam menos de 1%, e os aceites bancários estavam entre 0,125% e 0,25%.  As Letras do Tesouro caíram para 0,1% e os Bônus do Tesouro, para 2%.  Os empréstimos resgatáveis a qualquer momento estavam fixados em 1% e os empréstimos para os clientes prime estavam em 1,5%.  O mercado financeiro estava inundado e as taxas de juros dificilmente poderiam diminuir.
As causas enraizadas
A economia americana simplesmente não podia se recuperar desses furiosos e sucessivos ataques promovidos primeiramente pelos republicanos e depois pelos democratas.  A iniciativa privada, a mola mestra da criação de riqueza e renda, não teve a menor chance.
A calamidade da Grande Depressão finalmente deu passagem para o holocausto da Segunda Guerra Mundial.  Quando mais de 10 milhões de homens saudáveis e capacitados foram recrutados para as forças armadas, o desemprego deixou de ser um problema econômico.  E quando o poder de compra do dólar havia caído à metade em decorrência de enormes déficits orçamentários e inflação monetária, as empresas americanas ainda assim conseguiram se ajustar aos opressivos custos dos "New Deals" da dupla Hoover-Roosevelt.  A radical inflação na realidade acabou por reduzir os custos reais da mão-de-obra, gerando assim novos empregos no período pós-guerra.
Nada seria mais insensato do que selecionar apenas alguns homens como os responsáveis por esses perniciosos anos e condená-los por todo o mal causado.  As raízes supremas da Grande Depressão estavam nos corações e mentes do povo americano.  É verdade que eles detestaram os dolorosos sintomas do grande dilema.  Mas a grande maioria apoiou e votou nas políticas que tornaram o desastre inevitável: inflação e expansão do crédito, tarifas protecionistas, leis trabalhistas que aumentavam salários e leis agrícolas que aumentavam preços, impostos crescentes sobre os ricos e a redistribuição de sua riqueza.  As sementes da Grande Depressão foram plantadas pelos intelectuais e professores da década de 1920 e, mais cedo, quando as ideologias socioeconômicas hostis à tradicional ordem da propriedade privada e da livre iniciativa, tão caras aos americanos, conquistaram suas faculdades e universidades.  Os professores daqueles anos foram tão culpados pela tragédia quanto os líderes políticos da década de 1930.  
O declínio econômico e social sempre é facilitado pela decadência moral.  Certamente a Grande Depressão seria inimaginável sem o crescimento do rancor e da inveja em relação às grandes riquezas e rendas individuais, e do desejo crescente por favores e assistencialismos estatais.  Seria inimaginável sem o fatídico declínio da independência individual e da autoconfiança.
Pode acontecer de novo?  As inexoráveis leis econômicas garantem que irá acontecer novamente sempre que forem repetidos os apavorantes erros que geraram a Grande Depressão.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Perdoar

"Suportando-vos uns aos outros, e perdoando-vos uns aos outros, se alguém tiver queixa contra outro; assim como Cristo vos perdoou, assim fazei vós também."

I NTRODUÇÃO

Perdoar é o ato fundamental da fé cristã, pois, através do perdão, entramos na vida eterna que Jesus nos promete. Deus nos perdoou mediante a obra feita na cruz pelo Seu Filho.

1. QUEBRANDO CADEIAS E GRILHÕES

O perdão é a ferramenta que precisamos para quebrarmos cadeias e grilhões, e nos libertar das amarras que nos prende ao passado. Estas prisões, por vezes não percebidas, é que nos impede de vivermos um presente feliz e ajustado com Deus.

Através do amor geramos o perdão, e só através do perdão podemos alcançar a cura das feridas do passado. Amor e perdão são duas palavras que andam lado a lado, e estão envolvidas com a misericórdia. "Deus é amor" (1Jo 4.8). Esta é a mais bela definição que a Bíblia apresenta sobre o caráter de Deus. Se não fosse o Seu amor e a Sua misericórdia, jamais seriamos perdoados e, como conseqüência, estaríamos perdidos.  A maior prova do amor de Deus para conosco, foi perdoar todos os nossos pecados através do sacrifício de Jesus na cruz.

2. DEUS NOS CAPACITA A AMAR E PERDOAR

A dificuldade do homem de amar e perdoar o próximo, o leva a precisar de Deus que é a fonte do amor e da misericórdia. Quem não perdoa tem o coração abafado pelo rancor e ressentimentos, e fechado à ação do Espírito Santo. Não merecemos o perdão de Deus, mas experimentamos do seu amor, bondade e misericórdia, quando mostramos a Ele um coração arrependido e aberto para perdoar aquele que nos ofendeu. Perdoar é um atributo de Deus. Quando decidimos não perdoar, anulamos o relacionamento e a comunhão com nosso irmão, e ficamos longe de Deus. Longe de Deus não existe a verdadeira alegria.

Alguém já disse que, na vida cristã, "o amor é mais forte que a morte?. De fato, não perdoar é pecado e evidencia ausência de amor. Sem amor não há perdão. O perdão cura e vivifica.

CONCLUSÃO

Perdoar significa deixar de considerar o outro com desprezo ou ressentimento. É ter compaixão, deixando de lado toda a idéia de vingar-se daquilo que foi feito, ou pelas conseqüências que sofremos.

Perdoar é essencial ao nosso bem estar interior, e se torna um testemunho eficaz de que somos filhos de Deus, semelhantes a Ele e parecidos com Cristo.

A base para o ato de perdoar está no completo e genuíno perdão que recebemos do Pai. Da mesma maneira que Ele nos perdoou, nós também devemos perdoar. "Antes sede uns para com os outros benignos, misericordiosos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus vos perdoou em Cristo" (Ef 4.32).

Tissinami em Salvador

      A costa de Salvador foi sacudida nesta quarta feira por uma tsunami de dez metros que arrastou carros e construções na cidade. Não há registro de mortos mas várias pessoas ficaram feridas maioria delas trabalhadores  ( principalmente professores ), pais de alunos, turistas e vendedores de camarão no espeto. 
    A capital também foi afetada pelo tremor, causada por greves ( frentistas, rodoviários e professores) mas não foi devastada pela onda gigante como outras cidades. O alerta de tsunami se estende, mas a maior preocupação do governador do estado Jaques Wagner neste momento é com a Copa das Confederações e as obras da Fonte Nova, que por sinal já estão bem adiantadas. Jaques Wagner alega ainda que já mandou chamar o "Secretário para assuntos que me dá medo" o arcebispo da Igreja Católica dom Murilo Krieger para resolver tais problemas, tendo em vista sua intimidade com São Pedro, principal suspeita dessa onda de catástrofes.
    No interior, há temor em relação à falta de chuva que pode afetar os festejos juninos e estragar o brinquedo dos prefeitos, que teme a perda de oportunidades, quando esta é uma grande oportunidade de embolsar milhões com o superfaturamento nos cachês dos artistas.
    Após o tremor, a tsunami arrasou tudo o que encontrou em sua passagem pela costa baiana, incluindo casas (da população mais carente é claro), carros, prédios e o credicesta dos professores.. Cerca de 1,5 milhão de alunos estão sem aula e seus pais estão revoltados por terem que tomar conta de seus próprios filhos. " Essa peste já quebrou a vidraça da vizinha e não faz silêncio pr'eu aasistí minha novela, quem vai pagar meus prejuízos, queremos solução!"- disse dona Maria Clementina, mãe de Augusto, aluno da 5ª série de uma escola pública estadual na Bahia.
    Já a prefeitura de Salvador ordenou a retirada de todas as proteções de pontos de ônibus no subúrbio durante a temporada de chuva e uma licitação para a aquisição de lonas plásticas para a contenção de encostas que ameaçam deslizamentos.

Veja fotos da destruição causada pela tsunami

sábado, 21 de abril de 2012

Repúbliva Velha: Resistência

Nas útimas décadas do século XIX a concentração de terras nas mãos de poucos o desemprego, as disputas entre as famílias de grandes fazendeiros(os coronéis) e as secas constantes tornavam a vida da maioria dos habitantes do sertão nordestino quase insuportável.
A guerra de canudos
Nesse cenário marcado por violência e exclusão social surgiu no sertão nordestino em 1870, um líder religioso chamado antônio vicente mendes maciel o conselheiro nascido em quixeramobim no ceará antônio conselheiro exerceu na juventude varias ocupações até mesmo a de pprofessor certo dia abalado por dissabores na vida pessoal deixou o ceará e iniciou sua vida de beato andava pelo sertão afora pregando de cidade em cidade e promovendo mutirões para ajudar pequenos agricultores reformar igrejas e erguer muros em cemitérios.
Em 1893 antônio coselheiro e sua gente estabeleceram-se no sertão baiano as margens de rio vaza- barris,nas terras de uma antiga fazenda chamada canudos ali começaram a construir um povoado que inicialente foi chamado de belo monte e depois de canudos.

REPUBLICA VELHA DOMINAÇÃO

A consolidação do modelo republicano federalista e a ascendência das oligarquias agrárias ao poder fez surgir um dos mais característicos fenômenos sociais e políticos do período: o coronelismo. O fenômeno do coronelismo expressou as particularidades do desenvolvimento social e político do Brasil. Ele foi resultado da coexistência das formas modernas de representação política (o sufrágio universal) e de uma estrutura fundiária arcaica baseada na grande propriedade rural.

O direito de voto estava assegurado pela Constituição, mas o fato da grande maioria dos eleitores habitarem o interior (a população sertaneja e camponesa) e serem muito pouco politizados levou os proprietários agrários a controlar o voto e o processo eleitoral em função de seus interesses.

O "coronel" (geralmente um proprietário de terra) foi a figura chave no processo de controle do voto da população rural. Temido e respeitado, a influência e o poder político do coronel aumentavam a medida em que ele conseguisse assegurar o voto dos eleitores para os seus candidatos. Por meio do emprego da violência e também da barganha (troca de favores), os coronéis forçavam os eleitores a votarem nos candidatos que convinha aos seus interesses.

Voto de cabresto

O controle do voto da população rural pelos coronéis ficou conhecido popularmente como "voto de cabresto". Por meio do voto de cabresto eram eleitos os chefes políticos locais (municipais), regionais (estaduais) e federal (o governo central). A fraude, a corrupção, e o favorecimento permeavam todo o processo eleitoral de modo a deturpar a representação política.

No âmbito municipal os coronéis locais dependiam do governador para obtenção de auxílio financeiro para obras públicas e benfeitorias gerais, daí a necessidade de apoiar e obter votos para os candidatos de determinada facção das oligarquias estaduais.

As oligarquias estaduais também dependiam de votos para conquistarem ou assegurarem seu domínio político, daí a necessidade de barganharem com os coronéis locais. Semelhante condição de dependência política se manifestava nas relações do governo federal com os governos estaduais.
As rivalidades, lutas e conflitos armados entre coronéis de pouca ou grande influência e pertencentes a diferentes oligarquias agrárias eram comuns, fazendo da violência um componente constitutivo e permanente do sistema de dominação política da República Velha.

Um pacto de poder

Sob a presidência de campos salles (1898-1902), foi firmado um pacto de poder chamado de Política dos Governadores. Baseava-se num compromisso político entre o governo federal e as oligarquias que governavam os estados tendo por objetivo acabar com a constante instabilidade que caracterizava o sistema político federativo.

A Política dos Governadores estabelecia que os grupos políticos que governavam os estados dariam irrestrito apoio ao presidente da República, em contrapartida o governo federal só reconheceria a vitória nas eleições dos candidatos ao cargo de deputado federal pertencentes aos grupos que o apoiavam.

O governo federal tinha a prerrogativa de conceder o diploma de deputado federal. Mesmo que o candidato fosse vitorioso nas eleições, sem este documento ele não poderia tomar posse e exercer a atividade política. O controle sobre o processo de escolha dos representantes políticos a partir da fraude eleitoral impedia que os grupos de oposição chegassem ao poder.

Candidatos da situação

De modo geral, o governo federal firmava acordos com os grupos políticos que já detinham o poder, e a partir daí diplomava somente os candidatos da situação garantindo-se, desse modo, a perpetuação desses grupos no governo. Com poucas ou nenhuma chance de chegar ao poder por via eleitoral restava aos grupos da oposição juntarem-se aos grupos políticos da situação.

A Política dos Governadores assegurou e reforçou o poder das oligarquias agrárias mais influentes do país. Os estados mais ricos da federação, São Paulo e Minas Gerais, dispunham das mais prósperas economias agrárias devido a produção em larga escala do principal produto de exportação brasileiro, o café. As oligarquias cafeeiras desses estados conquistaram influência política nacional e governaram o país de acordo com seus interesses.

A hegemonia de São Paulo e Minas Gerais na política nacional foi chamada de "Política do café-com-leite". Por meio de acordos entre o Partido Republicano Paulista (PRP) e o Partido Republicano Mineiro (PRM), os dois estados da federação elegeram praticamente todos os presidentes da República Velha, até que a revolução de 1930 viesse alterar os rumos da política brasileira.

sábado, 31 de março de 2012

Revolução Russa

Introdução
No começo do século XX a Rússia era um país de economia atrasada e dependente da agricultura, pois 80% de sua economia estava concentrada no campo (produção de gêneros agrícolas).

Rússia Czarista
Os trabalhadores rurais viviam em extrema miséria e pobreza, pagando altos impostos para manter a base do sistema czarista de Nicolau II. O czar governava a Rússia de forma absolutista, ou seja, concentrava poderes em suas mãos não abrindo espaço para a democracia. Mesmo os trabalhadores urbanos, que desfrutavam os poucos empregos da fraca indústria russa, viviam descontentes com os governo do czar.
No ano de 1905, Nicolau II mostra a cara violenta e repressiva de seu governo. No conhecido Domingo Sangrento, manda seu exército fuzilar milhares de manifestantes. Marinheiros do encouraçado Potenkim também foram reprimidos pelo czar.
Começava então a formação dos sovietes (organização de trabalhadores russos) sob a liderança de Lênin. Os bolcheviques começavam a preparar a revolução socialista na Rússia e a queda da monarquia.
revolução russa Lênin fala aos revolucionários em 1917  

A Rússia na Primeira Guerra Mundial
Faltava alimentos na Rússia czarista, empregos para os trabalhadores, salários dignos e democracia. Mesmo assim, Nicolau II jogou a Rússia numa guerra mundial. Os gastos com a guerra e os prejuízos fizeram aumentar ainda mais a insatisfação popular com o czar.

Greves,  manifestações e a queda da monarquia
As greves de trabalhadores urbanos e rurais espalham-se pelo território russo. Ocorriam muitas vezes motins dentro do próprio exército russo. As manifestações populares pediam democracia, mais empregos, melhores salários e o fim da monarquia czarista. Em 1917, o governo de Nicolau II foi retirado do poder e assumiria Kerenski (menchevique) como governo provisório.

A Revolução Russa de outubro de 1917 
Com Kerenski no poder pouca coisa havia mudado na Rússia. Os bolcheviques, liderados por Lênin, organizaram uma nova revolução que ocorreu em outubro de 1917. Prometendo paz, terra, pão, liberdade e trabalho, Lênin assumiu o governo da Rússia e implantou o socialismo. As terras foram redistribuídas para os trabalhadores do campo, os bancos foram nacionalizados e as fábricas passaram para as mãos dos trabalhadores.
Lênin também retirou seu país da Primeira Guerra Mundial no ano de 1918. Foi instalado o partido único: o PC (Partido Comunista).

A formação da URSS
Após a revolução, foi implantada a URSS ( União das Repúblicas Socialistas Soviéticas). Seguiu-se um período de grande crescimento econômico, principalmente após a NEP ( Nova Política Econômica ). A URSS tornou-se uma grande potência econômica e militar. Mais tarde rivalizaria com os Estados Unidos na chamada Guerra Fria. Porém, após a revolução a situação da população geral e dos trabalhadores pouco mudou no que diz respeito à democracia. O Partido Comunista reprimia qualquer manifestação considerada contrária aos princípios socialistas. A falta de democracia imperava na URSS.

Os líderes da União Soviética durante o regime socialista:
- Vladimir Lenin (8 de novembro de 1917 a 21 de janeiro de 1924)
- Josef Stalin (3 de abril de 1922 a 5 de março de 1953)
- Nikita Khrushchov (7 de setembro de 1953 a 14 de outubro de 1964)
- Leonid Brejnev (14 de outubro de 1964 a 10 de novembro de 1982)
- Iúri Andopov (12 de novembro de 1982 a 9 de fevereiro de 1984)
- Konstantin Chernenko (13 de fevereiro de 1984 a 10 de março de 1985)
- Mikhail Gorbachev (11 de março de 1985 a 24 de agosto de 1991)

sábado, 24 de março de 2012

Primeira Guerra Mundial

Antecedentes
Vários problemas atingiam as principais nações européias no início do século XX. O século anterior havia deixado feridas difíceis de curar. Alguns países estavam extremamente descontentes com a partilha da Ásia e da África, ocorrida no final do século XIX. Alemanha e Itália, por exemplo, haviam ficado de fora no processo neocolonial. Enquanto isso, França e Inglaterra podiam explorar diversas colônias, ricas em matérias-primas e com um grande mercado consumidor. A insatisfação da Itália e da Alemanha, neste contexto, pode ser considerada uma das causas da Grande Guerra.
Vale lembrar também que no início do século XX havia uma forte concorrência comercial entre os países europeus, principalmente na disputa pelos mercados consumidores. Esta concorrência gerou vários conflitos de interesses entre as nações. Ao mesmo tempo, os países estavam empenhados numa rápida corrida armamentista, já como uma maneira de se protegerem, ou atacarem, no futuro próximo. Esta corrida bélica gerava um clima de apreensão e medo entre os países, onde um tentava se armar mais do que o outro.
Existia também, entre duas nações poderosas da época, uma rivalidade muito grande. A França havia perdido, no final do século XIX, a região da Alsácia-Lorena para a Alemanha, durante a Guerra Franco Prussiana. O revanchismo francês estava no ar, e os franceses esperando uma oportunidade para retomar a rica região perdida.
O pan-germanismo e o pan-eslavismo também influenciou e aumentou o estado de alerta na Europa. Havia uma forte vontade nacionalista dos germânicos em unir, em apenas uma nação, todos os países de origem germânica. O mesmo acontecia com os países eslavos.
O início da Grande Guerra
O estopim deste conflito foi o assassinato de Francisco Ferdinando, príncipe do império austro-húngaro, durante sua visita a Saravejo (Bósnia-Herzegovina). As investigações levaram ao criminoso, um jovem integrante de um grupo Sérvio chamado mão-negra, contrário a influência da Áustria-Hungria na região dos Balcãs. O império austro-húngaro não aceitou as medidas tomadas pela Sérvia com relação ao crime e, no dia 28 de julho de 1914, declarou guerra à Servia.
Política de Alianças
Os países europeus começaram a fazer alianças políticas e militares desde o final do século XIX. Durante o conflito mundial estas alianças permaneceram. De um lado havia a Tríplice Aliança formada em 1882 por Itália, Império Austro-Húngaro e Alemanha ( a Itália passou para a outra aliança em 1915). Do outro lado a Tríplice Entente, formada em 1907, com a participação de França, Rússia e Reino Unido.
O Brasil também participou, enviando para os campos de batalha enfermeiros e medicamentos para ajudar os países da Tríplice Entente.
Desenvolvimento. 
As batalhas desenvolveram-se principalmente em trincheiras. Os soldados ficavam, muitas vezes, centenas de dias entrincheirados, lutando pela conquista de pequenos pedaços de território. A fome e as doenças também eram os inimigos destes guerreiros. Nos combates também houve a utilização de novas tecnologias bélicas como, por exemplo, tanques de guerra e aviões. Enquanto os homens lutavam nas trincheiras, as mulheres trabalhavam nas indústrias bélicas como empregadas.
Fim do conflito
Em 1917 ocorreu um fato histórico de extrema importância : a entrada dos Estados Unidos no conflito. Os EUA entraram ao lado da Tríplice Entente, pois havia acordos comerciais a defender, principalmente com Inglaterra e França. Este fato marcou a vitória da Entente, forçando os países da Aliança a assinarem a rendição. Os derrotados tiveram ainda que assinar o Tratado de Versalhes que impunha a estes países fortes restrições e punições. A Alemanha teve seu exército reduzido, sua indústria bélica controlada,  perdeu a região do corredor polonês, teve que devolver à França a região da Alsácia Lorena, além de ter que pagar os prejuízos da guerra dos países vencedores. O Tratado de Versalhes teve repercussões na Alemanha, influenciando o início da Segunda Guerra Mundial.
A guerra gerou aproximadamente 10 milhões de mortos, o triplo de feridos, arrasou campos agrícolas, destruiu indústrias, além de gerar grandes prejuízos econômicos.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Revolução Industrial

A Revolução Industrial teve início no século XVIII, na Inglaterra, com a mecanização dos sistemas de produção. Enquanto na Idade Média o artesanato era a forma de produzir mais utilizada, na Idade Moderna tudo mudou. A burguesia industrial, ávida por maiores lucros, menores custos e produção acelerada, buscou alternativas para melhorar a produção de mercadorias. Também podemos apontar o crescimento populacional, que trouxe maior demanda de produtos e mercadorias.
Pioneirismo Inglês

Foi a Inglaterra o país que saiu na frente no processo de Revolução Industrial do século XVIII. Este fato pode ser explicado por diversos fatores. A Inglaterra possuía grandes reservas de carvão mineral em seu subsolo, ou seja, a principal fonte de energia para movimentar as máquinas e as locomotivas à vapor. Além da fonte de energia, os ingleses possuíam grandes reservas de minério de ferro, a principal matéria-prima utilizada neste período. A mão-de-obra disponível em abundância (desde a Lei dos Cercamentos de Terras ), também favoreceu a Inglaterra, pois havia uma massa de trabalhadores procurando emprego nas cidades inglesas do século XVIII. A burguesia inglesa tinha capital suficiente para financiar as fábricas, comprar matéria-prima e máquinas e contratar empregados. O mercado consumidor inglês também pode ser destacado como importante fator que contribuiu para o pioneirismo inglês.
Avanços da Tecnologia

O século XVIII foi marcado pelo grande salto
tecnológico nos transportes e máquinas. As máquinas à vapor, principalmente os gigantes teares, revolucionou o modo de produzir. Se por um lado a máquina substituiu o homem, gerando milhares de desempregados, por outro baixou o preço de mercadorias e acelerou o ritmo de produção.
Locomotiva da época da Revolução Industrial Locomotiva: importante avanço nos meios de transporte

Na área de transportes, podemos destacar a invenção das locomotivas à vapor (maria fumaça) e os trens à vapor. Com estes meios de transportes, foi possível transportar mais mercadorias e pessoas, num tempo mais curto e com custos mais baixos.
A Fábrica

As fábricas do início da Revolução Industrial não apresentavam o melhor dos ambientes de trabalho. As condições das fábricas eram precárias. Eram ambientes com péssima iluminação, abafados e sujos. Os salários recebidos pelos trabalhadores eram muito baixos e chegava-se a empregar o trabalho infantil e feminino. Os empregados chegavam a trabalhar até 18 horas por dia e estavam sujeitos a castigos físicos dos patrões. Não havia direitos trabalhistas como, por exemplo, férias, décimo terceiro salário, auxílio doença, descanso semanal remunerado ou qualquer outro benefício. Quando desempregados, ficavam sem nenhum tipo de auxílio e passavam por situações de precariedade.
Reação dos trabalhadores

Em muitas regiões da Europa, os trabalhadores se organizaram para lutar por melhores condições de trabalho. Os empregados das fábricas formaram as trade unions (espécie de sindicatos) com o objetivo de melhorar as condições de trabalho dos empregados. Houve também movimentos mais violentos como, por exemplo, o ludismo. Também conhecidos como "quebradores de máquinas", os ludistas invadiam fábricas e destruíam seus equipamentos numa forma de protesto e revolta com relação a vida dos empregados. O cartismo foi mais brando na forma de atuação, pois optou pela via política, conquistando diversos direitos políticos para os trabalhadores.
Conclusão

A Revolução tornou os métodos de produção mais eficientes. Os produtos passaram a ser produzidos mais rapidamente, barateando o preço e estimulando o consumo. Por outro lado, aumentou também o número de desempregados. As máquinas foram substituindo, aos poucos, a mão-de-obra humana. A poluição ambiental, o aumento da poluição sonora, o êxodo rural e o crescimento desordenado das cidades também foram conseqüências nocivas para a sociedade. 
Até os dias de hoje, o desemprego é um dos grandes problemas nos países em desenvolvimento. Gerar empregos tem se tornado um dos maiores desafios de governos no mundo todo. Os empregos repetitivos e pouco qualificados foram substituídos por máquinas e robôs. As empresas procuram profissionais bem qualificados para ocuparem empregos que exigem cada vez mais criatividade e múltiplas capacidades. Mesmo nos países desenvolvidos tem faltado empregos para a população.
 

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Amamos a Deus de verdade? Jo 14;21


INTRODUÇÃO
Na semana anterior, aprendemos que o verdadeiro amor a Deus não se expressa só com palavras, mas também com atitudes. A nossa entrega a Deus, a busca constante em oração, jejum, presença nas atividades da igreja, na nossa célula, meditação na Sua Palavra, não deve ser só nos momentos de angústia, mas também nos momentos em que tudo está bem. Tudo isso Deus requer de Seus filhos e, quando assim agimos, Deus se agrada de nós. Quem é que ama a Deus e quem é que não O ama? O texto que acabamos de ler nos oferece duas indicações para identificarmos quem ama a Deus: a primeira é ter os mandamentos de Deus e a segunda é guardar os Seus mandamentos. Em seguida veremos as promessas que Deus tem para aqueles que O amam.
1. QUE SIGNIFICA TER OS MANDAMENTOS
Ter os mandamentos não quer dizer ter os mandamentos todos de cor  ou ter uma Bíblia aberta no Salmo 91   no meio ou num canto da sala e lê-la como um mero ritual, mas sim ler   a Palavra de Deus diariamente para meditar nos seus ensinamentos (Sl 119.15 16), conhecê-los, recebê-los de Deus e crer n?eles, reconhecendo que são a Vontade de Deus expressa na Sua Palavra.
2. QUE SIGNIFICA GUARDAR OS MANDAMENTOS
Jesus diz que aquele que O ama guarda os Seus mandamentos. Mandamentos representam tudo  que Deus nos ordena e ensina na Sua Palavra e não apenas os 10 Mandamentos que estão em Ex 20. Amar é mais do que dizer palavras adoráveis: é um compromisso e uma conduta. Quem ama a Cristo prova o seu amor guardando o que Ele ordena na Sua Palavra. "Guardar", nesse contexto significa obedecer, praticar o que na Palavra está escrito.  E guardar os mandamentos de Deus significa ser um cumpridor da Palavra e obedecer aos seus mandamentos (Tg 1.23), ter uma vida comprometida com o que nela está escrito,  meditando diariamente nos seus ensinamentos e tendo uma vida transformada continuamente.
3. PROMESSAS DE DEUS PARA OS QUE O AMAM
São três as promessas de Deus na Sua Palavra para aqueles que O  amam, conforme o ensino de Jesus: "será amado de meu Pai", "e eu o amarei "  e " me manifestarei a ele". Observamos que quem ama a Deus é amado duplamente, pois é amado, ao mesmo tempo, por Deus e por Jesus. Ser amado por Deus e por Seu Filho Jesus é o maior bem que uma pessoa pode ter. Deus expressa o Seu amor para conosco quando nos quer perto d?Ele e por essa razão elaborou o Seu plano de salvação para nós, entregando o Seu único Filho para morrer por nós, pecadores ( Rm 5.8; Jo 3.16). E Jesus nos ama tanto que  obedeceu ao Pai se entregando àquela morte na cruz do Calvário, onde derramou ali o Seu sangue para nos redimir da morte eterna que significa ficar separado de Deus para sempre ( Rm 3.23).
Além de sermos amados por Deus e por Jesus, quando amamos a Deus, Ele se manifesta a nós, isto é, manifesta a Sua Presença, a Sua Glória. Um exemplo na Bíblia de um homem que muito amava a Deus e  rogou-Lhe que  queria ver a Sua Glória foi Moisés ( Ex 33.18 -23).Encontramos a Presença gloriosa de Deus  na intimidade que cultivamos com Ele. Deus se manifesta a nós ao responder nossas orações, ao nos tocar com Seu toque de cura, ao nos ouvir e falar conosco, enfim, ao nos abençoar ( Dt 28.1-14).
CONCLUSÃO
Amar a Deus de verdade significa, portanto  ter os mandamentos de Deus que significa reconhecê-los como a Sua Vontade  expressa na Palavra e guardá-los,   que quer dizer,  obedecer  a tudo quanto  nela está escrito. Quem assim agir, receberá o amor de Deus nosso Pai e de Jesus, Seu Filho e ainda a grande bênção de Jesus se manifestar  com a Sua Presença.