quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Emílio Garrastazu Médici


 
Palácio do Planalto
Emílio Garrastazu Médici nasceu em Bagé, no Rio Grande do Sul, no dia 4 de dezembro de 1905. Filho de um rico fazendeiro de origem italiana, estudou no Colégio Militar de Porto Alegre e seguiu carreira no Exército.

Em 1957 assumiu a chefia do Estado Maior da 3° Região Militar de Porto Alegre a convite do general Arthur da Costa e Silva, então comandante daquela unidade, com quem estabeleceu forte amizade.

Promovido a general-de-brigada em 1961, foi nomeado comandante da Academia Militar das Agulhas Negras, no Rio de Janeiro, e apoiou o golpe de 1964, que depôs o presidente João Goulart.

Foi nomeado delegado brasileiro na Junta internacional de Defesa Brasil-Estados Unidos, em Washington. Em 1967, assumiu a chefia do SNI (Serviço Nacional de Informações) e, em 1969, o comando do 3º Exército, no Rio Grande do Sul. Após o afastamento de Costa e Silva, o Alto Comando do Exército indicou o nome de Médici para a presidência da República.

Em 30 de outubro de 1969, passou a exercer o cargo de presidente da República. No seu governo houve o conhecido "milagre brasileiro", que representou uma significativa melhora na economia brasileira, com aumento do PIB (Produto Interno Bruto), estabilização da inflação em índices inferiores a 20%, aumento da produção industrial, melhora dos níveis de emprego e do mercado interno.

O crescimento geral da economia, e da indústria automobilística em especial, gerava novo empregos, possibilitava o desenvolvimento de outros setores econômicos e aumentava a arrecadação do Estado através dos impostos. O comércio exterior cresceu em níveis recordes e a produção industrial cada vez mais ganhava espaço nos mercados mundiais. O Brasil tornava-se uma potência econômica do mundo.

No final do governo Médici já se fazia sentir a falência do "milagre econômico", que entrou em derrocada a partir de 1973, juntamente com a crise internacional do petróleo. A falta e o aumento do preço desse produto deu início a uma crise de energia no Brasil. Nessa época, o país importava 80% do combustível que consumia.

Médici faleceu no Rio de Janeiro, em 9 de outubro de 1985.

domingo, 20 de outubro de 2013

Costa e Silva


Palácio do Planalto
Arthur da Costa e Silva nasceu no dia 3 de outubro de 1902 em Taquari, Rio Grande do Sul. Filho de portugueses, estudou no colégio Militar de Porto Alegre, na Escola Militar do Realengo, no Rio de Janeiro, na Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais da Armada e na Escola de Estado-Maior do Exército. Fez parte do movimento tenentista em 1922, quando foi preso e anistiado, e dez anos mais tarde, em 1932, participou da Revolução Constitucionalista que aconteceu em São Paulo.

Já envolvido na política, fez parte do grupo do exército na embaixada do Brasil, na Argentina (1950-1952). Foi promovido a general de divisão em 1961 e liderou o comando do 4º Exército, em Recife (1961-1962). Ao lado de Castello Branco, Costa e Silva foi um dos principais articuladores do golpe de 1964, que depôs o presidente João Goulart, e fez parte da junta batizada de Comando Supremo da Revolução, formada pelo brigadeiro Correia de Melo e do almirante Augusto Rademaker.

Nomeado para o ministério da Guerra durante a gestão de Castello Branco (1964-1966), afastou-se do cargo para candidatar-se às eleições indiretas pelo Arena (Aliança Renovadora Nacional). Foi eleito presidente da República em 3 de outubro, mediante abstenção de toda a bancada da oposição composta por políticos do MDB (Movimento Democrático Brasileiro).

Tomou posse no dia 15 de março de 1967. O período de seu governo foi marcado por forte agitação política, com importantes movimentos populares e políticos de oposição, como a Frente Ampla, liderada por Carlos Lacerda e apoiada por Juscelino Kubitschek e João Goulart. Este movimento tinha como proposta a redemocratização, anistia, eleições diretas para presidente e uma nova constituinte.

Os protestos populares foram intensificados em 1968, com manifestações estudantis denunciando falta de verbas e oposições contra a privatização do ensino público. Como resposta às críticas, Costa e Silva instituiu o polêmico AI-5, que conferia ao presidente da República poder para fechar o Parlamento, cassar políticos e professores, indicar governadores e prefeitos.

A economia apresentou crescimento durante o período, tanto na área industrial quanto na facilidade de crédito, política salarial e estabilidade na inflação. Delfim Netto foi o Ministro da Fazenda.

Em agosto de 1969, Costa e Silva sofreu uma trombose cerebral e foi afastado do cargo, sendo substituído por uma junta militar. Faleceu no Rio de Janeiro, em 17 de dezembro de 1969.

sábado, 19 de outubro de 2013

Humberto de Alencar Castello Branco


Humberto Castello Branco nasceu em Fortaleza, no Ceará, no dia 20 de setembro de 1897. Sua base de educação foi inteiramente militar com períodos de estudo no Colégio Militar de Porto Alegre, Escola Militar de Realengo, Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais da Armada, Escola de Estado-Maior e Escola de Aviação Militar.
Durante a campanha da Itália, feita na Segunda Guerra Mundial, fez parte da Seção de Planejamento e Operações da FEB (Força Expedicionária Brasileira). Passou ao cargo de subchefe do EMFA (Estado Maior das Forças Armadas), comandante da Escola do Estado-Maior e diretor do departamento de estudos da ESG (Escola Superior de Guerra). Foi promovido a general do Exército (1962), nomeado comandante do 4º Exército, em Recife (1962-1963), e designado chefe do Estado-Maior do Exército (1963-1964).

Castello Branco foi um dos principais articuladores do golpe militar de 1964, que depôs o presidente João Goulart. Durante o período de transição, o presidente da Câmara, Paschoal Ranieri Mazzilli, assumiu temporariamente a presidência da República enquanto a alta cúpula militar preparava a substituição definitiva.

No dia 9 de abril de 1964, o supremo Comando Militar, composto pelo Exército, Marinha e Aeronáutica decretou o AI-1 (Ato Institucional número 1), o primeiro de uma série de AIs que marcaram o período militar. De acordo com o documento, que em princípio teria validade de seis meses, a partir daquela data todas as garantias de vitalicidade e estabilidade em cargos públicos estabelecidas pela Constituição foram suspensas; o presidente passava a ter o direito de cassar mandatos e suspender direitos políticos por 10 anos de qualquer cidadão e de propor emenda à Constituição e declarar estado de sítio.

Dois dias depois da publicação do AI-1, o marechal Humberto de Alencar Castello Branco foi eleito pelo congresso Nacional como representante para assumir a presidência da república em 15 de abril de 1964. O regime militar que passou a ser vigorado a partir desta data era baseado na política de fortalecimento do poder Executivo e na idéia de "segurança nacional". Para tanto foram criados novos órgãos governamentais, como o SNI (Serviço Nacional de Informação).

Marechal Castello Branco alegava ter como principal proposta impedir o avanço do comunismo e da corrupção e recuperar a credibilidade internacional do Brasil. O governo iniciou esta política com uma ação que foi denominada de "operação limpeza", que teve início com os inquéritos policiais-militares, as prisões, as suspensões de direitos políticos e as cassações de mandatos de vários cidadãos, entre eles João Goulart, Leonel Brizola, Juscelino Kubitschek e Jânio Quadros.

Sindicatos e federações operárias sofreram intervenções e foram extintas as ligas camponesas e todas as organizações que defendiam as reformas de base do governo anterior. As perseguições e as prisões se multiplicaram. Foram presos líderes sindicais, líderes operários, líderes religiosos, estudantes, professores, camponeses e militares acusados de subversão. Em 1965 houve eleições para governadores em 11 Estados brasileiros. Nos demais, as eleições seriam em 1966.

A vitória de Israel Pinheiro em Minas Gerais e a de Negrão de Lima na Guanabara, no Rio de Janeiro, agitaram os meios militares, pois esses candidatos eram acusados de serem contra o regime militar e eram aliados de Juscelino.

Apesar da pressão de muitos militares, chamados de "durões" da revolução, Castello Branco garantiu a posse dos eleitos. Em 27 de outubro de 1965, foi decretado o AI-2, que instituiu a eleição indireta para presidente e a extinção de todos os partidos políticos até então existentes.

A partir desta data, passaram a existir apenas dois partidos no Brasil: Arena (Aliança renovadora nacional e MDB (Movimento Democrático Brasileiro). Em 5 de fevereiro de 1966, foi decretado o AI-3 que estabelecia eleições indiretas para os governadores e para os prefeitos das capitais.

Em janeiro de 1967, o Congresso Nacional, que estava fechado desde outubro de 1966, foi reaberto apenas para aprovar a nova Constituição por determinação do AI-4, que foi decretado em 7 de dezembro de 1966. Na área econômica, o governo lançou mão de um plano de combate a inflação e de recuperação econômica chamado Paeg (Plano de Ação Econômica do Governo), que visava garantir aos empresários nacionais e estrangeiros o aumento dos seus lucros para que eles investissem mais capital no Brasil.

O governo assumiu o pleno controle da economia, reduziu o crédito bancário, aumentou os impostos e iniciou a prática da redução dos salários, que ficou conhecida como política de arrocho salarial. Foi instituído o FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) que substituiu a garantia da estabilidade no emprego e a unificação dos institutos de aposentadoria e pensões com a criação do INPS (Instituto Nacional de Previdência Social).

Em janeiro de 1967, a nova Constituição federal entrou em vigor sob duras críticas, inclusive no meio político. Em dezembro do ano seguinte, era instituído o AI-5, um dos atos institucionais que criou mais polêmica por acabar com a liberdade de imprensa e restringir a liberdade de expressão.

Faleceu no Ceará em acidente aéreo em 18 de julho
de 1967.

sábado, 5 de outubro de 2013

Geração Z




           Diretamente herdeira da “Geração Y”, hoje, a chamada "Geração Z" tem como maior característica o fato de estar online o tempo todo. Essa turma nasceu em uma realidade globalizada e convive com informações em escala mundial desde o berço.

           A “geração Z” é o que chamamos de ‘nativos digitais’, ou seja, já nascem tendo à mão smartphones, tablets e pacotes de dados e 3G pagos pelos pais. Tem contato com relógios, óculos e as ditas tevês conectadas. "É diferente da minha geração, por exemplo, que cresceu com apenas um televisor instalado na sala de jantar" afirma o professor Itamar Santos.

          Em se tratando de sala de aula, pelo fato da geração mandante ser aquela mais antiga, certas regras foram passadas pelo ponto de vista deles. Existe uma lei estadual, por exemplo, que proíbe o uso de celular em sala de aula - o professor pode tomar o aparelho e devolver só quando terminar a aula. Isso conflita com os interesses da geração atual, que prefere se manter conectada o tempo todo com o que lhe interessa. Entretanto, mesmo essas pessoas mais antiquadas do ponto de vista da “Geração Z” adotam a tecnologia quando enxergam a interatividade que ela pode promover entre as pessoas, “e esse foi o meu caso” diz novamente o professor Itamar.

          Os alunos atuais anseiam pelo aprendizado que desafie seu conhecimento através de softwares e também pela web: "A Internet é uma tecnologia que facilita a motivação dos alunos,
pela novidade e possibilidades inesgotáveis de pesquisa que oferece. Essa motivação aumenta ainda mais se o professor busca fazer em um clima de confiança, de abertura, de cordialidade e de colaboração com os alunos" – diz ele.

          Mas, efetivamente, quais recursos da web estariam disponíveis para um uso mais pedagógico? Professor Itamar não se acanha em mostrar seus próprios métodos: “conversamos sobre assuntos considerados por eles pertinentes via twitter,  facebook, mantendo um canal no youtube e até de um blog (www.itamar-santos.blogspot.com) constantemente atualizado para consulta”.

         “Além disso, peço a eles que elaborem pesquisas por meio de sites específicos”.
Professor Itamar também cita um exemplo que já vem sendo adotado por ele a algum tempo, que é a criação de um blog ou página da turma escolar: “por sua característica interativa, o blog pode produzir uma resposta quase imediata ao conteúdo publicado. Quando os alunos produzem um texto para publicar no blog, eles interagem entre si e com outros autores, pesquisam sobre o tema em diferentes sites e passam a conhecer diversos escritores e ilustradores. Assim sendo, o interesse por temas distintos cresce, levando-o a retomar e reinterpretar conceitos e práticas, explica”.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Brasil: Dutra, Getúlio, Jk, Jânio e Jango


Dutra e Getúlio

               O general Eurico Gaspar Dutra, candidato da coligação PSD e PTB, venceu as eleições presidenciais por 55% dos votos. Vargas também se sentiu vencedor das eleições de 1945 por ter apoiado o presidente eleito e  eleger-se senador por dois estados: São Paulo e Rio Grande do Sul.

Em 18 de setembro de 1946, foi criada a nova constituição que:

    Defendia o Brasil como uma republica federativa presidencialista,

    Garantia ampla liberdade de pensamento, de expressão e de associação,

    Concedia grande autonomia a cada um dos três poderes;

    Permitia o direito de voto a todos os brasileiros de 18 anos,

    Também garantia aos trabalhadores o direito de greve,

     Proibia as greves em “atividades essenciais” sendo que na pratica, quase todas as greves eram proibidas.

        Dutra optou por aliar-se declaradamente aos Estados Unidos, por isso rompeu relações diplomáticas com a União Soviética, cassou o registro do partido comunista do Brasil e os mandatos dos políticos eleitos por esse partido, como o do renomado escritor Jorge Amado.

         A economia só voltou a crescer quando Dutra restabeleceu o controle sobre as importações dificultando as importações ao mesmo tempo em que houve aumento do preço do café no exterior.

         Vargas também venceu as eleições presidências de1950 quando defendia o nacionalismo, a industrialização e a ampliação das leis trabalhistas. Com isso obteve 48,7% dos votos.

          Para apagar da memória dos brasileiros a imagem de ditador e reforçar a de “amigo dos trabalhadores” Vargas voltou a praticar o populismo estabelecendo uma relação direta e emocional com os trabalhadores.

          Mas, apesar da popularidade, os trabalhadores estavam insatisfeitos com a alta inflação e seus baixos salários, quando organizaram greves que explodiram em todo país. Para resolver a situação, Vargas nomeou João Goulart (Jango) como Ministro do Trabalho, que negociou com os trabalhadores e prometeu aumento de 100% do salário.

          Apesar da pressão de Carlos Lacerda e da UDN, depois de demitir Jango do cargo, Vargas autorizou o aumento em 1° de maio de 1954.  Porem esse aumento forneceu argumento para que o jornalista Carlos Lacerda iniciasse uma campanha difamatória contra Vargas.

          No final de seus discursos Lacerda exigia a renuncia do presidente. Vargas não renunciou ele preferiu se suicidar em 24 de agosto de 1954 com um tiro no coração. Quando o locutor do telejornal “repórter Esso” informou que Vargas havia se suicidado, uma onda de dor e indignação percorreu o país, o comércio e a indústria fecharam as portas, uma multidão enfurecida tomou e incendiou os caminhões de entrega de jornais da oposição. Essa foi a queda de Vargas. 


De Juscelino a Jango: Crescimento econômico e populismo 


          Brasília gerou e continua gerando polêmica: para uns, foi a prova da extraordinária capacidade de realização do presidente Juscelino Kubitschek; para outros, não passou de desperdício de tempo e dinheiro.

          Após a morte de Vargas o povo brasileiro voltou ás urnas e elegeu Juscelino Kubitschek de oliveira como presidente da republica e João Goulart como vice- presidente.

          Como presidente Juscelino prometeu que o Brasil iria progredir “50 anos em 5”. Sua política é chamada de desenvolvimentismo, Vargas e Juscelino defendiam a industrialização acelerada como forma de desenvolver e modernizar o país, mas discordavam quanto ao capital estrangeiro.

           Juscelino iniciou seu mandato apresentando o que ele chamou de Plano de Metas, que previa investimentos públicos em cinco grandes áreas: energia, transporte, indústria, alimentação e educação.

          Coerente com seus planos, o governo investiu milhões na indústria de base, construindo siderúrgicas como a Usiminas e Cosipa, hidrelétricas como Três Marias e Furnas, além de portos e mais de 20 mil quilômetros de estradas de rodagens.

          Ao mesmo tempo o governo ofereceu facilidades e incentivos e, com isso, atraiu diversas empresas multinacionais que instalaram fábricas no Brasil para produzir bens de consumo. Entre elas estavam fábricas automobilísticas como a Willys Overland, Ford, Volkswagem e General Motors.  

          A industrialização verificada no governo JK gerou muitos empregos e criou um clima de otimismo, mas não beneficiou igualmente todas as regiões brasileiras, pois o investimento se concentrava no Centro-Sul fazendo com que trabalhadores de todo país, principalmente nordestinos e mineiros migrassem para lá.

          Ao final do mandato de JK, ocorreram eleições presidenciais que foram vencidas pelo advogado e professor Jânio da Silva Quadros e como vice o seu adversário político João Goulart. Quando Jânio Quadros assumiu o governo, a inflação e a dívida externa brasileiras estavam altas, e parte da divida tinha de ser paga ainda naquele ano. Jânio então decidiu restringir gastos. Conseguiu pagar a parcela a vencer e ainda renegociou o restante da dívida, o que fez com que seu governo fosse visto com bons olhos pelo FMI. Contudo estava desagradando à população.

            Jânio surpreendeu a todos, tanto seus eleitores quanto aos opositores quando renunciou ao cargo de presidente. Pela Constituição João Goulart deveria assumir o cargo de presidente, contudo Carlos Lacerda e outros membros da UDN eram contra, levando o país a uma discussão e a uma possível guerra civil. Antes que isso acontecesse, o Congresso propôs uma solução política de que Jango poderia assumir o cargo desde que aceitasse que o país fosse parlamentarista.

          Claro que Jango aceitou, mais tão logo tomou  posse encaminhou um plebiscito para que o povo decidisse acerca do sistema de governo do país. Com mais de 80% de votos os brasileiros trouxeram de volta o presidencialismo e devolveram o poder a Jango.

          O governo Jango foi conturbado, parte do empresariado desconfiava dele e diminuiu seus investimentos na produção, ocasionando queda do emprego. Como chefe de governo, Jango prometeu realizar as reformas de base: agrária, administrativa, bancaria, tributária, eleitoral e educacional.

          Para driblar a reprovação do Congresso Jango passou a governar através de decretos feitos em palanques. No comício do dia 13 de março, diante de milhares de pessoas, o presidente assinou dois decretos de grande impacto popular. Mexendo com a elite que compunha a UDN, empresários brasileiros e norte-americanos.

          A oposição logo tratou de dar uma resposta a Jango e no dia 19 de março do mesmo ano em São Paulo organizou uma manifestação contra as reformas de base proposta por Jango: a Marcha da Família com Deus pela Liberdade.

           Depois de diversas manifestações de populares e da oposição, em 31de março de 1964, as tropas do general Olímpio Mourão Filho, vindas de Minas Gerais, marcharam em direção ao Rio de Janeiro a fim de derrubar João Goulart. Logo receberam mais apoio e João Goulart não resistiu. Os militares então assumiram o poder afirmando que salvaram o país da anarquia e do comunismo. Era o fim da republica populista e o inicio do Regime Militar.

O general Eurico Gaspar Dutra, candidato da coligação PSD e PTB, venceu as eleições presidenciais por 55% dos votos, outro grande vencedor das eleições de 1945 foi Getulio Vargas, que apoiava o presidente eleito e ele elegeu-se senador por dois estados São Paulo e Rio Grande do Sul. Em 18 de setembro de 1946, foi criada a nova constituição que defendia o Brasil como uma republica federativa presidencialista, garantia ampla liberdade de pensamento, de expressão e de associação, concedia grande autonomia a cada um dos três poderes; permitia o direito de voto a todos os brasileiros de 18 anos, também garantia aos trabalhadores o direito de greve, mas proibia as greves em “atividades essenciais” sendo que na pratica, quase todas as greves eram proibidas. Dutra optou por aliar-se declaramente aos Estados Unidos, por isso rompeu eleições diplomáticas com a União Soviética, cassou o registro do partido comunista do Brasil e os mandatos dos políticos eleitos por esse partido, como o do renomado escritor Jorge Amado. A economia só voltou a crescer quando Dutra restabeleceu o controle sobre as importações ao mesmo tempo em que houve aumento do preço do café no exterior. Vargas também venceu as eleições presidências de1950 ele defendia o nacionalismo, a industrialização e a ampliação das leis trabalhistas com isso obteve 48,7% dos votos . Para apagar da memória dos brasileiros a imagem de ditador e reforçar a de “amigo dos trabalhadores” Vargas voltou a praticar o populismo estabelecendo uma relação direta e emocional com os trabalhadores. Em 1° de maio de 1945, Vargas autorizou o aumento de 100% do salário mínimo. Porem esse aumento forneceu argumento para que o jornalista Carlos Lacerda iniciasse uma campanha difamatória contra Vargas. No final de seus discursos Lacerda exigia a renuncia do presidente. Vargas não renunciou ele preferiu se suicidar em 24 de agosto de 1945 com um tiro no coração. Quando o locutor do telejornal repórter Esso informou que Vargas havia se suicidado, uma onda de dor e indignação percorreu o país, o comercio e a indústria fecharam as portas, uma multidão enfurecida tomou e incendiou os caminhões de entrega de jornais da oposição. Essa foi a queda de Vargas. De Juscelino a Jango: Crescimento econômico e populismo Brasília gerou e continua gerando polêmica: para uns, foi a prova da extraordinária capacidade de realização do presidente Juscelino Kubitschek; para outros, não passou de desperdício de tempo e dinheiro. Lott garante a posse de JK Depois da morte de Getulio Vargas, o povo brasileiro voltou ás urnas e elegeu Juscelino Kubitschek de oliveira como presidente da republica e João Goulart como vice- presidente. Como presidente Juscelino prometeu que o Brasil iria progredir 50 anos em 5. Sua política é chamada de desenvolvimentismo, Vargas e Juscelino defendiam a industrialização acelerada como forma de desenvolver e modernizar o pais. Juscelino iniciou seu mandato apresentando seus planos: que previa investimentos públicos em cinco grandes áreas: energia, transporte, indústria, alimentação e educação. Coerente com seus planos, o governo investiu milhões na indústria de base, bens de consumo e veículos. A industrialização verificada no governo JK criou um clima de otimismo e gerou muitos empregos, mas não beneficiou igualmente todas as religiões brasileiras. Ao final do mandato de JK, ocorreram eleições presidenciais que foram vencidas pelo advogado e professor Jânio da Silva Quadros. Quando Jânio Quadros assumiu o governo, a inflação e a duvida externa brasileiras estavam altas, e parte da divida tinha de ser paga. Janio decidiu restringir os gastos. Janio renunciou ao cargo de presidente, então João Goulart assumiu ao cargo de presidente. O governo Jango foi conturbado, parte do empresariado desconfiava dele e diminuiu seus investimentos na produção, ocasionando queda do emprego. Como chefe de governo, Jango prometeu realizar as reformas de base: agrária, administrativa, bancaria, tributária, eleitoral e educacional. No comercio, diante de milhares de pessoas, o presidente assinou dois decretos de grande impacto popular. João Goulart não resistiu; os militares então assumiram o poder afirmando que salvaram o país da anarquia e do comunismo. Era o fim da republica populista e o inicio do Regime Militar.

sábado, 7 de setembro de 2013

A Era Vargas

É impossível falar de política na história do Brasil, sem citar o nome de Getúlio Vargas. Até hoje nós brasileiros gozamos dos benefícios, principalmente trabalhistas que ele nos deixou como legado. Vargas foi o presidente que mais tempo ficou no poder no Brasil. Seu primeiro governo durou quinze anos, de 1930 a 1945. Este período ficou conhecido como a "Era Vargas" e suas características são as diversas alterações que o então presidente realizou no país nos setores sociais e econômicos.

Até o começo da década de 30, a República Velha vigorava no Brasil, ou seja, o país possuía uma centralização de poder entre os partidos políticos, além da economia cafeeira e a aliança política entre São Paulo e Minas Gerais, conhecida como política do café com leite (a presidência era revezada por presidente mineiro e paulista).
O presidente da época, Washington Luis deveria indicar um mineiro para o cargo, porém apoiou Júlio Prestes, o que causou a conhecida revolta armada, já que a Aliança Liberal afirmava que tudo era uma fraude eleitoral. A situação ficou ainda mais crítica quando o vice-presidente de Getúlio Vargas, João Pessoa foi assassinado no Recife, Pernambuco. Aproveitando destes incidentes, os getulistas não perderam tempo em culpar seus opositores sem provas. No final do mesmo ano, com a ajuda do exército o poder foi passado para Getúlio.
Vargas usou políticas de modernização, criou novos ministérios (Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio e o Ministério da Educação e Saúde), deu segmento a política de valorização do Café, o PVC, criou o Conselho Nacional do Café e o Instituto do Cacau e a Lei da Sindicalização, cujos sindicatos eram vinculados indiretamente ao presidente.
Um ano depois, um passo ousado de Getúlio quase colocou tudo a perder, ele tinha a intenção de derrubar a Constituição Brasileira, o que deixou a classe média paulista irritada. Para piorar a situação quatro soldados paulistas: Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo, foram assassinados e então a sociedade passa a apoiar a causa constitucional.
No dia 9 de julho, a revolução acontece, sendo que os paulistas tinham apoio do Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. O presidente então isola São Paulo, que sem outra opção se rende. É então aprovada a Constituição de 1934 que passa a ter o voto secreto, o voto feminino, ensino primário obrigatório e diversas leis trabalhistas.
Três anos mais tarde, devido aos documentos do Plano Cohen, Vargas conseguiu realizar o Golpe de 1937 derrubando a Constituição e declarando o Estado Novo. O presidente fechou o Congresso Nacional, criou o Tribunal de Segurança Nacional, centralizou o poder e acabou com a liberdade partidária.
Getúlio Vargas saiu do governo após sofrer um golpe militar no dia 29 de outubro de 1945. Apesar de tudo Vargas se sentiu vitorioso, pois além de eleger-se senador viu Eurico Gaspar Dutra, o candidato que apoiou vencer nas urnas.

quarta-feira, 31 de julho de 2013

Conflitos do Oriente Médio


Conflito árabe israelense (1948-1949)

Por volta do século IX, comunidades judaicas foram restabelecidas em Jerusalém e Tibérias. No século XI, a população judaica crescia nas cidades de Rafah, Gaza, Ashkelon, Jaffa e Caesarea. Durante o século XII, muitos judeus que viviam na Terra Prometida foram massacrados pelas Cruzadas, mas nos séculos seguintes, a imigração para a Terra de Israel continuou. Mais comunidades religiosas judaicas estavam se fixando em Jerusalém e em outras cidades.
Um dos pontos fundamentais da fé judaica é que todo o povo será liderado de volta à Terra de Israel e que o Templo Sagrado será restabelecido. Muitos judeus acreditam que o Messias, que será enviado por Deus, irá liderar o retorno de todo o povo judeu à Terra de Israel.
Contudo, muitos judeus acreditavam que eles próprios deveriam iniciar seu retorno à sua terra histórica. A idéia de estabelecer um estado judeu moderno começou a ganhar grande popularidade no século XIX na Europa. Um jornalista austríaco chamado Theodor Herzl levou adiante a idéia do sionismo, definido como o movimento nacional de libertação do povo judeu. O sionismo afirma que o povo judeu tem direito ao seu próprio estado, soberano e independente.
No final do século XIX, o aparecimento do anti-semitismo, o preconceito e ódio contra judeus, levaram ao surgimento de pogroms (massacres organizados de judeus) na Rússia e na Europa Oriental. Esta violência notória contra judeus europeus ocasionou imigrações maciças para a Terra de Israel. Em 1914, o número de imigrantes vindos da Rússia para a Terra de Israel já alcançava os 100.000. Simultaneamente, muitos judeus vindos do Iêmen, Marrocos, Iraque e Turquia imigraram para a Terra de Israel. Quando os judeus começaram, em 1882, a imigrar para seu antigo território em grande escala, viviam por lá menos de 250.000 árabes.
O povo judeu baseia suas reivindicações pela Terra de Israel em diversos fatores:
1. A Terra de Israel foi prometida por Deus aos judeus. Esta é a antiga terra dos patriarcas e profetas bíblicos.
2. Desde que os judeus foram exilados pelos romanos, a Terra de Israel nunca foi estabelecida como um estado.
3. O estado de Israel foi criado pelas Nações Unidas em 1947. É um estado democrático, moderno e soberano.
4. Toda a Terra de Israel foi comprada pelos judeus ou conquistada por Israel em guerras de defesa, após o país ter sido atacado por seus vizinhos árabes.
5. Os árabes controlam 99.9% do território no Oriente Médio. Israel representa apenas um décimo de 1 % da região.
6. A história demonstrou que a segurança do povo judeu apenas pode ser garantida através da existência de um estado judeu forte e soberano.
Em 1517, os turcos otomanos da Ásia Menor conquistaram a região e, com poucas interrupções, governaram Israel, então chamada de Palestina, até o inverno de 1917-18. O país foi dividido em diversos distritos, dentre eles, Jerusalém. A administração dos distritos foi cedida em grande parte aos árabes palestinos. As comunidades cristãs e judaicas, porém, receberam grande autonomia. A Palestina compartilhou a glória do Império Otomano durante o século XVI, mas foi negligenciada quando o império começou entrar em declínio no século XVII.
Em 1882, menos de 250.000 árabes viviam no local. Uma parte significante da Terra de Israel pertencia aos senhores, que viviam no Cairo, Damasco e Beirute. Por volta de 80% dos árabes palestinos eram camponeses, nômades ou beduínos.
Em 1917-18, com apoio dos árabes, os britânicos capturaram a Palestina dos turcos otomanos. Na época, os árabes palestinos não se imaginavam tendo uma identidade separada. Eles se consideravam parte de uma Síria árabe. O nacionalismo árabe palestino é, em grande parte, um fenômeno do pós Primeira Guerra Mundial.
Em 1921, o Secretário Colonial Winston Churchill separou quase quatro-quintos da Palestina – aproximadamente 35.000 milhas quadradas - para criar um emirado árabe, a Transjordânia, conhecida hoje como Jordânia. Este país, que é uma monarquia árabe, é em sua maioria composto por palestinos que hoje representam aproximadamente 70% da população.
Em 1939, os britânicos anunciaram o White Paper (Carta Branca), um documento relatando que um estado árabe independente e não dividido seria estabelecido na Terra de Israel (chamada de Palestina) dentro de 10 anos. O nacionalismo árabe cresceu com a promessa de um estado forte. Mas, como discutiremos futuramente, os britânicos não foram capazes de manter sua promessa aos árabes. Em vez disso, em 1947, as Nações Unidas decidiram dividir a Terra de Israel em dois estados: um judeu e outro árabe. Em 1948, foi estabelecido o estado de Israel. Quando seus vizinhos árabes atacaram o novo estado judeu, teve início a primeira guerra árabe-israelense. Durante o estabelecimento do estado de Israel e durante a primeira guerra entre árabes e israelenses, mais da metade dos árabes que viviam na Terra de Israel fugiram, dando início ao problema ainda hoje vigente de refugiados palestinos, que discutiremos nos próximos artigos.
O povo palestino baseia suas reivindicações pela Terra de Israel em diversos fatores:
1. Os árabes muçulmanos viveram no local por muitos anos.
2. O povo palestino tem o direito à independência nacional e à soberania sobre a terra onde viveram.
3. Jerusalém é a terceira cidade sagrada na religião muçulmana, local de elevação do profeta Maomé aos Céus.
4. O Oriente Médio é dominado por árabes. Outras religiões ou nacionalidades não pertencem à região.
5. Todos os territórios árabes que foram colonizados tornaram-se estados completamente independentes, exceto a Palestina.
6. Os palestinos tornaram-se refugiados.


Guerra de Suez (1956)

Com o objetivo de garantir o acesso dos ocidentais (principalmente franceses e ingleses) ao comércio oriental, antes realizado pelo contorno do sul da África. O controle das operações realizadas no canal ficou sob o domínio inglês e continuou mesmo após a independência do Egito. No entanto, em 1952, um Golpe de Estado realizado pelo revolucionário Gamal Abdel Nasser pôs fim ao regime monárquico do rei Faruk. A liderança de Nasser no governo egípcio revelou uma política de caráter nacionalista, buscando a modernização do Estado por meio da reforma agrária, do desenvolvimento da indústria e de uma melhor distribuição de renda. A luta contra o Estado de Israel, entretanto, não deixou de ser alimentada.
Numa atitude de combate ao colonialismo anglo-francês, Abdel Nasser nacionalizou o Canal de Suez e proibiu a navegação de navios israelenses no local. A medida causou um grande impacto na Inglaterra, França e Israel que, então, iniciaram uma guerra contra o Egito. No desenrolar do conflito, os egípcios foram derrotados, mas os Estados Unidos e a União Soviética interferiram, obrigando os três países a retirarem-se dos territórios ocupados. Ao final, o Canal de Suez voltava, definitivamente, para o Egito, mas com o direito de navegação estendido a qualquer país.
A Guerra de Suez revelou uma nova referência para o contexto político da região: a cumplicidade de Israel com as potências imperialistas ocidentais. Tal constatação acentuou a ruptura entre árabes e judeus, abrindo precedentes para novos conflitos.


Guerra dos Seis Dias

A Guerra dos Seis Dias foi mais um desdobramento dos conflitos entre árabes e judeus. Ela recebeu esta denominação devido ao efetivo contra-ataque israelense à ofensiva árabe, promovido pelo Egito.
O presidente Nasser, buscando fortalecer o mundo árabe, tomou medidas importantes: deslocou forças árabes para a fronteira com Israel, exigiu a retirada de representantes militares da ONU mantida na região desde 1956, e ameaçou fechar a navegabilidade do Estreito de Tiran aos israelenses.
No entanto, a reação israelense a essas medidas foi rápida e decisiva: atacou o Egito, a Jordânia e a Síria, encerrando o conflito num curto espaço de tempo -- 5 a 10 de junho (6 dias) de 1967. Israel dominava as forças aéreas e, por terra, contava com forças blindadas comandadas pelo general israelense Moshé Dayan. O resultado da guerra aumentou consideravelmente o estado de Israel: foram conquistadas áreas do Egito, Faixa de Gaza, Península de Sinai, região da Jordânia, a Cisjordânia, o setor oriental de Jerusalém, partes pertencentes à Síria e às Colônias de Golan.
A Guerra dos Seis Dias fortaleceu o Estado de Israel e agravou o nível de tensão entre os países beligerantes.


Acordo de Camp David

Com o cessar-fogo estabelecem-se as relações diplomáticas, iniciando-se um processo que é designado por paz americana. Iniciado em 1974/1975 com a metodologia dos pequenos passos de Henry Kissinger e, continuada pelo presidente Jimmy Carter em 1978/1979, ela visa, por parte dos E.U.A., a divisão do mundo árabe. A visita do presidente egípcio a Israel (1977) e os Acordos de Camp David (1978), que preparam um tratado de paz separado entre Isarel e o Egipto, concluído em 1979, constituem acontecimentos de relevo político na região. O presidente Sadate terá procurado nesta estratégia discutir a solução do problema palestino. Numa outra perspectiva, o tratado deveria atrair outros estados árabes, nomeadamente a Jordânia. A realidade posterior não viria a confirmar estas perspectivas, e os dirigentes israelitas prosseguirão até 1983 uma política assente na agressividade e na ocupação (os Montes Golan em 1980). Quanto às conversações sobre a autonomia dos Territórios Ocupados, previstas no Tratado de Paz entre o Egito e Israel, elas são praticamente ignorado continuando Israel a instalar colunatas na Cisjordânia.


Intifada

Como Arafat insistia em negociar uma solução para a Questão Palestina, houve uma dissidência dentro da Organização para a Libertação da Palestina e, em maio de 1983, as forças leais a Arafat começaram a enfrentar rebeldes chefiados por Abu Mussa.
Arafat, por sua vez, firmou novas alianças com o presidente do Egito, Hosni Mubarak, e com o Rei Hussein, da Jordânia, e se reelegeu presidente da OLP no ano seguinte.Em 1985, Yasser e Hussein fizeram uma oferta de paz a Israel, em troca de sua retirada dos territórios ocupados. Os judeus, além de rejeitarem a proposta, mantiveram o exército naquelas regiões.
Em 1987 explodiu uma rebelião popular em Gaza, cujo estopim foi o atropelamento e morte de quatro palestinos por um caminhão do exército israelense. Adolescentes, munidos de paus e pedras, enfrentaram, nas ruas, os soldados israelenses e o levante se alastrou. A repressão israelense foi brutal. Os soldados combatiam os paus e pedras com bombas de gás, tanques e balas de borracha.
Os resultados da Intifada foram vários espancamentos, detenções em massa e deportações. A ação judaica foi condenada pelo Conselho de Segurança da ONU, o que influenciou a opinião pública mundial a favor da OLP.
Como resultado da Intifada, as facções da OLP se uniram na intenção de criar um Estado palestino e, em novembro de 1988, o Conselho Nacional Palestino proclamou o Estado Independente da Palestina, ao mesmo tempo em que aceitava a existência de Israel. Além disso, o Conselho declarou sua rejeição ao terrorismo e pediu uma solução pacífica para o problema dos refugiados, aceitando, também, participar de uma conferência internacional de paz.


Guerra do Líbano

O território do Líbano viveu uma guerra civil a partir de 1958, causada pela disputa de poder entre grupos religiosos do país: os cristãos maronitas, os sunitas (muçulmanos que acreditam que o chefe de Estado deve ser eleito pelos representantes do Islã, são mais flexíveis que os xiitas), drusos, xiitas e cristãos ortodoxos. O poder, no Líbano, era estratificado. Os cargos de chefia eram ocupados pelos cristãos maronitas, o primeiro ministro era sunita e os cargos inferiores ficavam com os drusos, xiitas e ortodoxos. No entanto, os sucessivos conflitos na Palestina fizeram com que um grande número de palestinos se refugiasse no Líbano, descontrolando o modelo de poder adotado, já que os muçulmanos passaram a constituir a maioria no Líbano. A Síria rompeu sua aliança com a OLP e resolveu intervir no conflito ao lado dos cristãos maronitas. Durante a ocupação israelense aconteceram os massacres de Sabra e Chatila. Foi com o apoio norte-americano que o cristão maronita Amin Gemayel chegou ao poder em 1982.
Revoltados com a presença das tropas norte-americanas na região, o quartel-general da Marinha americana foi atacado em outubro de 1983 e causou a morte de 241 fuzileiros. O atentado e a pressão internacional fizeram com que os Estados Unidos retirassem suas tropas do Líbano em fevereiro de 1984. As tropas israelenses também foram retiradas do Líbano, o que enfraqueceu os cristãos.
Os drusos se aproveitaram desta situação, dominaram a região do Chuf, a leste de Beirute, e expulsaram as comunidades maronitas entre 1984 e 1985. De outro lado, o sírio Hafez Assad e seus partidários libaneses detonaram uma onda de atentados a bairros cristãos e tentavam assassinar os auxiliares do presidente Amin Gemayel, que resistiu e permaneceu no poder até 1988.
Desde então, o Líbano está tentando reconstruir sua economia e suas cidades. O país é tutelado pela Síria.


Conflito Irã Iraque

Começa em setembro de 1980 com a invasão do Irã e a destruição de Khorramshar, onde fica a refinaria de Abadã, por tropas iraquianas. O pretexto é o repúdio, pelo governo iraquiano, ao Acordo de Argel (1975), que define os limites dos dois países no Chatt-el-Arab, canal de acesso do Iraque ao golfo Pérsico.
O Iraque quer soberania completa sobre o canal e teme que o Irã sob Khomeini tente bloquear o transporte do petróleo iraquiano ao golfo Pérsico pelo canal. Khomeini havia sido expulso do Iraque em 1978, a pedido do xá Reza Pahlevi, e o presidente iraquiano, Saddam Hussein, dera apoio aos movimentos contra-revolucionários de Baktiar e do general Oveissi.
O novo regime iraniano apóia o separatismo dos curdos no norte do Iraque e convoca os xiitas iraquianos a rebelarem-se contra o governo sunita de Saddam. O Irã bloqueia o porto de Basra e ocupa a ilha de Majnun, no pântano de Hoelza, onde estão os principais poços petrolíferos do Iraque. Este bombardeia navios petroleiros no golfo, usa armas químicas proibidas e ataca alvos civis. Há pouco avanço nas frentes de luta, mas o conflito deixa 1 milhão de mortos ao terminar em 1988.


Guerra do Golfo

Conflito militar ocorrido inicialmente entre o Kuwait e o Iraque de 2 de agosto de 1990 a 27 de fevereiro de 1991, que acaba por envolver outros países. A crise começa quando o Iraque, liderado pelo presidente Saddam Hussein (1937-), invade o Kuwait. Como pretexto, o líder iraquiano acusa o Kuwait de provocar a baixa no preço do petróleo ao vender mais que a cota estabelecida pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep). Hussein exige que o Kuwait perdoe a dívida de US$ 10 bilhões contraída pelo Iraque durante a guerra com o Irã (1980) e também cobra indenização de US$ 2,4 bilhões, alegando que os kuweitianos extraíram petróleo de campos iraquianos na região fronteiriça de Rumaila. Estão ainda em jogo antigas questões de limites, como o controle dos portos de Bubiyan e Uarba, que dariam ao Iraque novo acesso ao Golfo Pérsico.
A invasão acontece apesar das tentativas de mediação da Arábia Saudita, do Egito e da Liga Árabe. As reações internacionais são imediatas. O Kuwait é grande produtor de petróleo e país estratégico para as economias industrializadas na região. Em 6 de agosto, a ONU impõe um boicote econômico ao Iraque. No dia 28, Hussein proclama a anexação do Kuwait como sua 19ª província. Aumenta a pressão norte-americana para a ONU autorizar o uso de força. Hussein tenta em vão unir os árabes em torno de sua causa ao vincular a retirada de tropas do Kuwait à criação de um Estado palestino. A Arábia Saudita torna-se base temporária para as forças dos EUA, do Reino Unido, da França, do Egito, da Síria e de países que formam a coalizão anti-Hussein. Fracassam as tentativas de solução diplomática, e, em 29 de novembro, a ONU autoriza o ataque contra o Iraque, caso seu Exército não se retire do Kuwait até 15 de janeiro de 1991. Em 16 de janeiro, as forças coligadas de 28 países liderados pelos EUA dão início ao bombardeio aéreo de Bagdá, que se rende em 27 de fevereiro. Como parte do acordo de cessar-fogo, o Iraque permite a inspeção de suas instalações nucleares.
Conseqüências – O número estimado de mortos durante a guerra é de 100 mil soldados e 7 mil civis iraquianos, 30 mil kuweitianos e 510 homens da coalizão. Após a rendição, o Iraque enfrenta problemas internos, como a rebelião dos curdos ao norte, dos xiitas ao sul e de facções rivais do partido oficial na capital. O Kuwait perde US$ 8,5 bilhões com a queda da produção petrolífera. Os poços de petróleo incendiados pelas tropas iraquianas em retirada do Kuwait e o óleo jogado no golfo provocam um grande desastre ambiental.
Tecnologia na guerra – A Guerra do Golfo introduz recursos tecnológicos sofisticados, tanto no campo bélico como em seu acompanhamento pelo resto do planeta. A TV transmite o ataque a Bagdá ao vivo, e informações instantâneas sobre o desenrolar da guerra espalham-se por todo o mundo. A propaganda norte-americana anuncia o emprego de ataques cirúrgicos, que conseguiriam acertar o alvo militar sem causar danos a civis próximos. Tanques e outros veículos blindados têm visores que enxergam no escuro graças a detectores de radiação infravermelha ou a sensores capazes de ampliar a luz das estrelas. Mas o maior destaque é o avião norte-americano F-117, o caça invisível, projetado para minimizar sua detecção pelo radar inimigo.


Momento jornalístico dos conflitos no Oriente Médio

1.ª Guerra Árabe-Israelense (1948-49) – Exércitos de cinco países árabes atacam Israel, que resiste e no final do conflito tem sob seu controle 70% da antiga Palestina britânica. A Jordânia ocupa a Cisjordânia e o setor oriental (árabe) de Jerusalém, controlando o acesso aos santuários da Cidade Velha. O Egito ocupa a Faixa de Gaza. Um milhão de palestinos se refugiaram em países árabes vizinhos.
Guerra dos 6 Dias (1967) – Diante de sinais repetidos de uma invasão sendo preparada no Egito, Síria e Jordânia, Israel lança um contra-ataque preventivo. Uma semana depois, conquista a Cisjordânia e Gaza e ainda ocupa as colinas de Golan (Síria) a Península do Sinai (Egito) até a margem do Canal de Suez. Jerusalém é unificada sob domínio israelense e depois anexada e proclamada capital "eterna e indivisível" de Israel, sob protestos internacionais. Com a derrota árabe, o líder guerrilheiro Yasser Arafat, do movimento Al-Fatah, assume o comando da OLP.
Guerra do Yom Kippur (1973) – No dia mais sagrado do calendário judaico, Síria e Egito atacam Israel, recuperando numa ofensiva fulminante os territórios que perderam em 67. A contra-ofensiva israelense restabelece a situação anterior.
Camp David - Em 78, Egito e Israel assinam em Camp David, nos EUA, um acordo de paz que permite a devolução do Sinai e inclui um plano de concessão de autonomia para os palestinos na Cisjordânia e Gaza sob ocupação israelense.
Invasão do Líbano (1982) – Determinado a afastar de sua fronteira norte os guerrilheiros palestinos que atacam do sul do Líbano, Israel invade o país vizinho e ocupa a capital, Beirute, forçando a retirada do comando da OLP para a Tunísia. Israel retira as tropas em 85 mas mantém uma faixa do sul do Líbano ocupada até maio de 2000.
Intifada (1987-93) – Uma rebelião explode na Cisjordânia e Gaza e jovens palestinos enfrentam diariamente (com pedras) as tropas israelenses. Centenas são mortos e a violência só arrefece depois da derrota do Iraque (apoiado pelos palestinos) na Guerra do Golfo (1991).